segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Um dia em...Lausanne

Um dia em... Lausanne

O artigo de hoje está inserido na rubrica "Um dia em..." e é dedicado ao belo dia que passámos em Lausanne.

Lausanne é uma encantadora cidade na Suíça Romanda, situada nas margens do Lago Léman. Esta é a capital do cantão de Vaud e uma animada cidade universitária, famosa pelos seus hotéis de luxo, cafés e pelo seu belo centro histórico. É ainda conhecida como a Capital Olímpica, sendo a sede do Comité Olímpico Internacional desde 1914.

Lausanne
A cidade foi construída sobre três montanhas com o Lago Léman aos seus pés e nas suas encostas encontram-se maravilhosos vinhedos, sendo a sua paisagem dominada pela Catedral de Notre Damme, no topo de uma colina e que oferece uma vista privilegiada da cidade, do lago e dos Alpes franceses.


Nós em Sauvabelin

O nosso roteiro:
Lausanne é constituída por um grande aglomerado de atracções turísticas e culturais, como tal, apenas uma visita à cidade pode não ser suficiente para conhecer a mesma.

Iniciámos o nosso passeio na zona norte da cidade, na Floresta de Sauvabelinconhecida como “o campo dentro da cidade”. Nesta bonita floresta de carvalhos encontra-se o pequeno Lago Sauvabelin, rodeado por um parque com vários animais do campo, nomeadamente porcos, vacas, cabras, entre outros, sendo um belo local para passear com crianças.

O Lago de Sauvabelin
A Floresta de Sauvabelin
No nosso passeio pela Floresta encontrámos a famosa Torre de Sauvabelin, que mais não é do que uma torre de madeira, com cerca de 35 metros e 302 degraus, construída em 2003. A subida é gratuita e vale muito a pena pois no seu topo somos brindados com imagens belíssimas da cidade e dos Alpes Franceses. Apesar de cansativa vale muito a pena a subida pois a vista que se tem da cidade lá no topo é inigualável. O nosso único senão é que estava muito nevoeiro a imagem não era das mais visíveis.


Torre de Sauvabelin

Depois seguimos caminho até ao centro histórico da cidade, como estávamos com amigos que vivem na Suiça, deslocámo-nos de carro, mas existem transportes públicos neste zona que levam ao centro da cidade.
Começámos o percurso no centro da cidade pela Catedral de Notre Dameuma fantástica catedral cuja construção teve início no séc. XII. Este é o mais impressionante exemplo de arquitectura gótica no país e tal como as grandes catedrais do mundo teve inúmeros arquitectos na sua construção. Foi consagrada a Nossa Senhora em 1275, na presença do Papa e do Imperador. Para além de visitar a Catedral é possível subir à torre e obter uma das vistas mais fantásticas da cidade, nós optámos por não fazer porque a entrada custa CHF 4 e estava um dia de nevoeiro e não íamos conseguir ver grande coisa.


Interior da Catedral
Parte Exterior da Catedral

Depois de sairmos da Catedral, descemos pela Escalier du Marchéuma escadaria de madeira do séc. XIII, e seguimos em direcção à Praça Saint François, onde visitámos a charmosa Igreja Saint François. O edifício inicial foi construído em 1259, quando os franciscanos chegaram à cidade para realizar os serviços religiosos. Mas com o incêndio de 1368 o mesmo foi destruído, tendo sido reconstruído mais tarde. Aquando da invasão do exército bernês foi transformada num templo protestante. 

Igreja de Saint-François
Órgão da Igreja

Seguimos depois em direcção à zona de Ouchy considerada por muitos como a zona mais bonita da cidade, o que eu subscrevo. Aqui ficámos a apreciar a beleza dos vários jardins e do  Lago Lémano maior lago de água doce da Europa. O seu nome vem do tempo dos celtas, que lhe chamavam “Lem na”, que significa água grande. Este divide a Suíça e a França e possui várias localidades inspiradoras de cada um dos lados, sendo um dos principais pontos turísticos de Lausanne. É comum ver os vários espaços públicos em redor do lago sempre com turistas e moradores, que aproveitam o tempo para apreciar o lago e os jardins que se encontram nas suas margens.
Este é daqueles locais que vale a pena caminhar sem pressa e absorver todo o ambiente florido e calmo que por aqui paira, aproveitando para tirar muitas fotografias.

Lago Léman
No nosso passeio ao longo do Lago encontrámos o Museu Olímpico, que nos oferece uma visão geral da história dos Jogos Olímpicos, desde os primeiros jogos de verão em 1986 em Atenas até à atualidade. É um museu super moderno, interativo e interessante, que presta uma homenagem aos homens e mulheres que vivem e celebram o ideal olímpico, não só os atletas, mas também os designers, arquitetos, voluntários e todos os outros intervenientes. A entrada custa CHF 18 e deve contar em perder (do meu ponto de vista é mais ganhar) cerca de duas horas.


Museu Olímpico

Saídos do Museu seguimos caminho sempre à beira do Lago até chegarmos ao Parc Denantou, um bonito parque paisagístico, projetado em 1818, a mando de William Haldimand. Aqui, para além das tradicionais árvores, parque para crianças e estátuas ainda é possível encontrar um bonito pavilhão Tailandês. Este terá sido uma oferta do Rei da Tailândia, aquando do 75º aniversário das relações diplomáticas entre a Suíça e a Tailândia e ficou em Lausanne em memória ao tempo em que o Rei estudou nesta cidade.


Parc Denatou

Depois de muito caminhar decidimos dar por encerrado o nosso dia por Lausanne, esperando puder um dia regressar para visitar tudo o resto que ficou por conhecer.
Com uma topografia sem igual, estações distintas e um cenário de beleza de tirar o fôlego, Lausanne apresenta todos os elementos que inspiram qualquer um, sendo uma cidade em transformação permanente.


E vocês já visitaram Lausanne? Quais as vossas impressões?

Não deixem de ler o nosso artigo sobre outra cidade suíça Um dia em...Montreux 

Espero que tenham gostado.
:)



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Hotéis em Palácios em Portugal


Hotéis em Palácios em Portugal


Depois de ter visto um artigo do Tripadvisor onde são dados a conhecer alguns hotéis localizados em palácios espalhados pelo mundo, decidi fazer algo semelhante mas com hotéis portugueses que se localizam em belos palácios, que outrora foram a casa de famílias reais e nobres da história de Portugal e do Mundo.

Ao longo dos tempos e por diversos motivos alguns dos palácios mais bonitos do nosso país foram deixando de servir para a função para que foram construídos e alguns chegaram a ficar vazios, o que é realmente uma pena dada a beleza e magnitude destes locais.
Então qual a solução que terá sido encontrada?  Transformar este edifícios históricos em hotéis de luxo e assim manter viva toda a história que cada um deles tem para contar.

Existem muitos outros palácios em Portugal que foram transformados em hotéis mas como não podia falar de todos acabei por fazer uma selecção daqueles de que já tinha ouvido falar.

Palácio da Lousã Boutique Hotel
O Palácio da Lousã foi o primeiro Boutique Hotel do país, estando localizado no Palácio da Viscondessa do Espinhal e é um edifício do séc. XVIII. Este bonito palácio, classificado como Património Histórico de Interesse Público, foi mandado construir por Bernardo Salazar Sarmento d'Eça e Alarcão e possui um brasão, que é composto por um escudo esquartelado com 4 quartéis que possui o timbre dos Eça, dos Arnaut, dos Salazar e dos Sarmento.
Posteriormente, foi transformado numa unidade hoteleira de 4 estrelas, com 46 quartos, 23 dos quais no palácio. Aqui ainda é possível encontrar o charme dos ambientes históricos, presente em todo o hotel. Este é um local importante para mim pois foi o local onde passei a minha noite de núpcias.
Caso queira fazer uma reserva neste hotel basta aceder aqui.

Palácio da Lousã (Fonte: www.palaciodalousa.com)

Palácio Estoril Hotel Golfe e SPA
O Hotel Palácio do Estoril, é um hotel de 5 estrelas, construído em 1930, e que serviu de moradia a algumas famílias reais europeias exiladas, durante a Segunda Guerra Mundial, mas também serviu de abrigo a alguns espiões britânicos e alemães. Foi utilizado também como segunda casa das famílias reais espanhola, italiana, francesa, búlgara e romena e actualmente, ainda é frequentada pelos descendentes destas famílias.
Nas suas instalações podemos encontrar a Galeria Real, onde estão expostos objectos de grandes personalidades destas famílias reais.
Actualmente, e apesar das diversas remodelações que tem sofrido ainda é possível observar muitas das características desse tempo. Possui uma belíssima fachada, maravilhosos jardins e ainda uma decoração clássica e elegante.
Dada a sua história, o Palácio Estoril Hotel Golfe e SPA já serviu de cenário para um dos filmes de James Bond, "007, Ao Serviço de sua Magestade".
Para fazer a sua reserva aceda aqui.

Palácio do Estoril (Fonte: www.palacioestorilhotel.com)

Tivoli Palácio de Seteais
O Tivoli Palácio de Seteais, é um hotel de 5 estrelas em Sintra, localizado num palácio neoclássico luxuoso e romântico do séc. XVIII. Foi mandado construir pelo cônsul holandês, Daniel Gildemeester, num local cedido pelo Marquês de Pombal.
Durante algum tempo foi deixado ao abandono, mas actualmente alberga um luxuoso hotel e restaurante da Sociedade Hotel Tivoli. A sua decoração é absolutamente maravilhosa, possuindo salões majestosos, com pinturas, tapeçarias e afrescos únicos.
Para fazer a sua reserva aceda aqui.

Palácio de Seteais (Fonte: www.booking.com)

Pousada Palácio de Estoi
O Palácio de Estoi, localizado na região de Faro, é um palácio do séc. XIX e era propriedade do Visconde de Estoi, José Francisco da Silva. Este belo palácio possui bonitos jardins com laranjeiras e palmeiras que condizem com o estilo arquitectónico rococó do mesmo.
Este foi totalmente remodelado sob a alçada do arquitecto Gonçalo Byrne, fazendo parte das Pousadas de Charme do Algarve, mas a sua arquitectura actual continua a ostentar vários elementos originais, nomeadamente as pinturas nas paredes e o mobiliário antigo.
O Palácio foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1977.
Para fazer a sua reserva aceda aqui.

Palácio de Estoi (Fonte: www.pestana.com)

Pestana Palácio do Freixo
O Palácio do Freixo é um bonito edifício barroco do séc. XVIII, obra do arquitecto italiano Nicolau Nasoni a mando do cónego D. Jerónimo de Távora e Noronha. Ao longos dos anos foi passando de mão em mão e a determinada altura chegou a albergar uma fábrica de sabão, posteriormente uma destilaria de cereais e mais tarde uma fábrica de moagem. E actualmente é uma pousada que pertence ao Grupo Pestana.
Este belo edifício foi classificado em 1910 Monumento Nacional.
Para fazer a sua reserva aceda aqui.

Palácio do Freixo (Fonte: www.pestana.com)

Bussaco Palace Hotel
O Palácio Real, localizado na Mata Nacional do Buçaco, é um belo edifício do final do séc. XIX de estilo manuelino-gótico e foi projectado pelo arquitecto italiano Luigi Manini a mando do rei D. Carlos I. É conhecido pela sua decoração com painéis de azulejo, afrescos e quadros alusivos à época dos Descobrimentos.
Actualmente, alberga o Bussaco Palace Hotel, um hotel de 5 estrelas, cujo mobiliário vai desde o séc. XVIII até a peças de Arte Nova.
Para fazer a sua reserva aceda aqui.

Palácio do Buçaco (Fonte: www.booking.com)

Hotel Real Palácio
O Palácio Guedes Quinhones é um belo palacete do séc. XVII, que resistiu ao terramoto de 1755 e que foi sofrendo obras de remodelações ao longo dos tempos. Esta bela casa serviu de residência da família Guedes Quinhones, durante 10 gerações, mas em 1927 a mesma foi adquirida pelo Estado Português e passou a albergar o Instituto Sidónio Pais, residência das filhas de professores de ensino primário.
Recentemente, esta bonita moradia foi transformado em hotel, mantendo algumas características iniciais, nomeadamente alguns painéis de azulejos setecentistas.
Para fazer a sua reserva aceda aqui.

Palácio Guedes Quinhones ( Fonte: www.booking.com)

E vocês já ficaram hospedados em algum destes locais? O que acharam?
Conhecem outros hotéis portugueses que se localizem em antigos palácios?
Espero que tenham gostado e que deixem aqui a vossa opinião.




sábado, 14 de novembro de 2015

Passeando pelas Aldeias Históricas de Portugal - 2

Passeando pelas Aldeias Históricas de Portugal


Hoje continuarei a segunda parte do artigo "Passeando pelas Aldeias Históricas de Portugal", onde falarei um pouco das restantes aldeias históricas que visitei.

Actualmente, muito se tem feito para combater os efeitos da passagem do tempo e da desertificação no interior da região centro de Portugal e uma das vertentes em que mais se apostou foi na valorização do nosso Património e da nossa História. E para todos os amantes da história do nosso país é extremamente apaziguador visitar estes locais e ver a população envelhecida e cheia de histórias para contar a socializar com as centenas de visitantes que têm visitado estes locais.

Marialva
A bonita localidade de Marialva, pertencente ao concelho de Mêda, remonta ao séc. VI a.C., quando terá sido fundada pelos Túrdulos. Mais tarde, com a chegada dos romanos passou a ser conhecida como Civitas Aravorum. E assim se foi fazendo a sua história, tendo passado de mão em mão, de diferentes povos, como os Godos (que lhe chamaram S. Justo) e os árabes (que lhe chamaram Malva). Mais tarde, foi reconquistada por D. Fernando Magno de Leão, em 1063, que lhe deu o nome actual. 
Em 1179, D. Afonso Henriques concedeu-lho o foral pela primeira vez. Séculos mais tarde, Marialva foi o local escolhido pelos judeus para se fixarem, algo que ocorreu durante anos.
Esta aldeia histórica é constituída por três núcleos distintos que são: a Cidadela (interior do Castelo), o Arrabalde (zona para além das muralhas) e a Devesa (situada a sul da Cidadela).

Marialva

O que visitar:

- Pelourinho
O Pelourinho de Marialva, é um monumento quinhentista, localizado no Largo da Praça junto a outros edifícios de interesse histórico, tendo sido declarado Imóvel de Interesse Público, desde 1933.
Este monumento assenta numa plataforma de quatro degraus octogonais e é constituído por uma coluna de base quadrada, que se eleva a cerca de 4 metros de altura, tendo no topo uma gaiola, constituída por dois chapéus piramidais. Na base do pelourinho está gravada a data de 1559, que será o ano em que provavelmente terá sido construído.

Pelourinho

- Capela do Senhor dos Passos
A Capela do Senhor dos Passos, localizada em frente à Igreja Matriz, terá sido construída no séc. XVII, mas terá sido no século seguinte que foi completada com a colocação de vários elementos decorativos de talha dourada e policromada.
No seu interior possui bonitos tectos de caixotões pintados com figuração hagiográfica e ainda um retábulo em talha de estilo joanino. No seu exterior pudemos encontrar um pequeno púlpito, onde eram feitas as pregações durante as cerimónias de Quinta e Sexta-feira de Páscoa.

Capela do Senhor dos Passos

- Castelo
O Castelo de Marialva, localiza-se no topo de um penedo e foi construído estrategicamente na região fronteiriça do Rio Côa. Acredita-se que foi começado a aquando do reinado de D. Afonso Henriques, mas foi no reinado de D.Sancho I, no séc. XIII, que o mesmo terá sido acabado. 
Actualmente, encontra-se bastante arruinado mas aquando da sua construção era composto por dois núcleos amuralhados: a cidadela, pólo militar composto pela torre de menagem e três torres defensivas e o núcleo civil, composto pela zona administrativa (com o Tribunal, a Cadeia, o Pelourinho e antiga Casa da Câmara) e a zona religiosa (com duas igrejas e o cemitério).
Foi classificado como Monumento Nacional em 1978.

Castelo

- Cisterna Quinhentista
A Cisterna localizada no Castelo de Marialva é uma cisterna quinhentista, situada junto ao Pelourinho, no Largo da Praça.
A sua função era fornecer a água à população existente na Cidadela, uma vez que segundo a arquitectura militar uma cisterna era um elemento fundamental para a sobrevivência dos defensores, quando havia um cerco.

Largo da Praça onde se vê a cisterna quinhentista em primeiro plano

As minhas impressões:
Longe de qualquer outra povoação, Marialva destaca-se na paisagem da Beira Interior, no alto de uma colina, oferecendo uma atmosfera mágica, envolvida na memória dos tempos medievais.
Aqui poderá ainda visitar a Igreja de São Tiago, o tribunal e a cadeia, localizados na Praça onde se encontra o pelourinho e a cisterna quinhentista.

Monsanto
A aldeia histórica de Monsanto, localizada no concelho de Idanha-a-Nova, situa-se na encosta de uma elevação escarpada. As suas origens remontam ao tempo do paleolítico, havendo igualmente vestígios arqueológicos da presença romana, visigótica e árabe. 
Durante o século XII, a localidade de Monsanto foi doada à Ordem dos Templários, tendo o foral sido concedido pela primeira vez em 1174. Mais tarde, em 1510 D. Manuel I concedeu à aldeia a categoria de vila.

Monsanto

O que visitar:

- Capela de São Miguel do Castelo
A Capela de São Miguel do Castelo, localiza-se entre o castelo e a torre de vigia medieval. Esta é a prova da existência de uma antiga povoação, denominada de S. Miguel. Encontra-se rodeada por um cemitério paleo-cristão, caracterizado pelas sepulturas escavadas na rocha granítica.

Ruínas da Capela de São Miguel do Castelo

- Castelo 
O Castelo de Monsanto foi construído no topo de um monte granítico, a 758 metros acima do nível do mar, sob a orientação do Mestre da Ordem dos Templários, D. Gualdim Pais e mais tarde passou a pertencer à Ordem de Santiago. Posteriormente, terá sido ampliado a mando do Rei D. Dinis.
Este castelo raiano medieval possuía uma planta poligonal, rodeado de muralhas reforçadas com diversas torres quadrangulares.
Actualmente, ainda é possível encontrar a Torre de Menagem, a cisterna, as escadas de acesso ao adarve (caminho no topo das muralhas) e as ruínas da Capela de Nossa Senhora do Castelo.
Foi classificado como Monumento Nacional em 1948.

Castelo

- Capela de Santa Maria do Castelo
A Capela de Santa Maria do Castelo, edificada no final do séc. XVII, sobre uma antiga capela da Ordem dos Templários, localiza-se no interior do Castelo de Monsanto e está rodeada por um cemitério, cujas esculturas antropomórficas foram escavadas na rocha.
O seu interior é constituído por uma nave e uma capela-mor mais estreita, em alvenaria de granito. 

Capela de Santa Maria do Castelo

- Torre de Lucano
A Torre de Lucano, também conhecida como Torre do Relógio, data do séc. XV, e acredita-se que poderá ter sido uma torre de vigia da povoação que se foi desenvolvendo à volta da Igreja Matriz a partir do séc. XV e durante o séc. XVI.
Actualmente, esta antiga torre sineira, ostenta uma réplica do Galo de Prata, que tornou Monsanto a "aldeia mais portuguesa de Portugal", eleita em 1938.

Monsanto com a Torre de Lucano em evidência

As minhas impressões:
Em Monsanto encontramos uma atmosfera de aldeia medieval única, emanada pelas suas ruelas íngremes, desenhadas pelas belas casas embutidas nas pedras espalhadas por toda a localidade.
Se visitar este bonito local não deixe de visitar também o forno comunitário, os chafarizes e a capela românica de São Pedro de Vir à Corça.

Piodão
O Piodão, localizado na Serra do Açôr, no concelho de Arganil,  foi classificada como Imóvel de Interesse Público.
Na Idade Média formou-se uma pequena povoação, a que foi dado o nome de Casas de Piodam, no local próximo da actual aldeia. Posteriormente, talvez no séc. XV, os seus habitantes tiveram que mudar de sítio e fizeram-no para a actual localização, estabelecendo-se na encosta da serra e ao longo dos tempos foram construindo as suas habitações de socalco em socalco.

Piodão

O que visitar:

- Igreja Matriz
A Igreja Matriz de Piodão, dedicada a Nª Sª da Conceição, está situada na praça principal e terá sido edificada na segunda metade do séc. XVIII, mas no séc. XIX a sua fachada foi reconstruída ao estilo neoclássico, depois de estar prestes a ruir. No seu interior encontra-se um belo altar-mor, em talha dourada, em estilo renascença e onde estão as imagens de Nª Sª da Conceição, de S. Miguel e de S. Sebastião.
Esta é a estrutura que mais se destaca nesta bonita aldeia, pois ao ser pintada de azul e branco foge aos tons cinzentos que por ali predominam. Para aceder a esta bonita igreja tem que se subir uma larga escadaria de xisto.

Igreja Matriz

- Capela de São Pedro
A Capela de São Pedro, localiza-se no cimo da aldeia, bem no topo do emaranhado de casas que compõem o local, fazendo com que muitas vezes passe despercebida. 
É um simples templo do séc. XVI, possuindo uma imagem de São Pedro, do séc. XVI.

Capela de São Pedro

As minhas impressões:
O Piodão é dos locais mais inesquecíveis que se podem visitar, dada a sua beleza e peculiaridade. Perca-se nas suas ruelas íngremes, suba e desça as escadas e aprecie as bonitas casas de xisto, que conferem à paisagem um sabor medieval único.  

Sortelha
Sortelha é uma localidade do concelho do Sabugal, que terá sido habitada por vários povos ao longo da sua história. Nomeadamente, os romanos, os visigodos e os muçulmanos, algo que foi acontecendo até à Reconquista Cristã. Então em 1228, D. Sancho II concedeu-lhe o foral e mandou edificar o castelo, mas o seu estatuto concelhio foi retirado séculos mais tarde pelo estado liberal, no séc. XIX

Sortelha

O que visitar:

- Castelo
O Castelo de Sortelha, classificado como Monumento Nacional, desde 1910, foi construído durante o séc. XIII, sobre um maciço granítico, a 760 metros acima do nível do mar. Mais tarde, durante a Restauração da Independência, o mesmo sofreu alteração, de modo a adaptar-se às novas técnicas militares, nomeadamente ao fogo da artilharia.
Este é um castelo românico-gótico, com um ou outro elemento manuelino, cuja cidadela fica fora do perímetro amuralhado, estando a torre de menagem bem no centro do recinto.

Castelo

- Pelourinho
O Pelourinho de Sortelha é um pelourinho manuelino, mandado construir em 1510, por D. Manuel e localiza-se no Largo em frente à Casa da Câmara e à Cadeia, bem no sopé do Castelo. É constituído por seis degraus octogonais e uma coluna, que não possui base e o seu capitel é canelado e circular. Bem no topo encontramos uma peça em forma de losango, quatro colunelos e ainda a esfera armilar alongada por um espigão de ferro.
Este antigo monumento foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1933.

Pelourinho

As minhas impressões:
Esta é sem dúvida uma das aldeias mais bonitas de Portugal, que nos transporta no tempo e nos inebria com a sua história. Como as suas casas tradicionais foram recuperadas, ao passearmos pelas ruas de Sortelha ficamos com a sensação que parámos no tempo e que pertencemos a um pedaço de história de Portugal. 
Aqui ainda é possível visitar os Passos da Via Sacra, a Igreja Matriz, as Capelas de São Sebastião e de Santiago e ainda dois penedos graníticos com formas irregulares, chamados de "Pedro do Beijo" e "Cabeça da Velha".

Trancoso
Trancoso, localizada no distrito da Guarda, é uma localidade situado no alto de um planalto. É conhecida por ter tido um papel fundamental a nível militar, durante a Idade Média. Em 1160, D. Afonso Henriques, conquistou a localidade e concedeu-lho o foral. Nos séculos seguintes Trancoso cresceu a nível comercial e populacional, o que levou a que D. Dinis mandasse alargar o perímetro das muralhas, o que consequentemente levou a uma remodelação da localidade. Trancoso é igualmente conhecida por, durante o séc. XV, ter acolhido a Judiaria.

Jardim em Trancoso

O que visitar:

- Castelo
O Castelo de Trancoso, classificado Monumento Nacional, em 1921, terá sido construído durante a Reconquista Cristã, no séc. X, sendo na altura apenas constituído por uma torre defensiva e mais tarde sido ampliado. Durante o séc. XII foi doado à Ordem dos Templários e passou a ser dotado de uma muralha defensiva.
É conhecido pelas suas características góticas, sendo composto pela Torre de Menagem e ainda por 5 torreões rectangulares.
Actualmente, é um dos ex-libris da arquitectura militar portuguesa.

Castelo
- Capela do Senhor da Calçada
A Capela do Senhor da Calçada é uma pequena e simples capela tardo-barroca, que terá sido construída no séc. XII. Situa-se à saída das portas de São João, junto ao cruzeiro do Senhor do Loreto. Possui uma torre sineira e na sua fachada principal encontramos um portal em lintel curvo, com um nicho em abóboda e com uma cruz bem no topo.
Originalmente, a capela estava situada em outro local.

Capela do Senhor da Calçada

- Pelourinho
O Pelourinho de Trancoso, localizado em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal, foi construído em 1590, possuindo características manuelinas.
É feito em granito e composto por uma coluna de fuste e uma base quadrada. No seu topo encontramos uma gaiola composta por um colunelo central liso e oito colunelos de fuste cilíndrico, terminando em forma de pirâmide com a esfera armilar, coroada por uma cruz de Cristo em ferro.
Foi classificado como Imóvel de Interesse Público, em 1933.

Pelourinho

- Portas do Prado
As imponentes Portas do Prado, de estilo gótico, estão integradas nas muralhas que circundam Trancoso, estando ladeadas por duas robustas torres e duas guaritas.
No interior pudemos encontrar uma escada que dá acesso ao topo das muralhas, oferecendo uma paisagem magnífica sobre a cidade.

Portas do Prado

As minhas impressões:
A bonita localidade de Trancoso é conhecida pelas suas belas pedras de granito, que traçam as ruas sinuosas que percorremos e que se mantém desde a época medieval. Conhecendo a história do local a visita torna-se bem mais interessante, pois percorremos o seu castelo e as suas muralhas conscientes da importância que o local teve para a independência do nosso Portugal.

E assim termina o artigo sobre as belas aldeias históricas de Portugal e que espero que vos tenha deixado o bichinho para visitarem cada uma delas.

Espero que tenham gostado :) .

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Passeando pelas Aldeias Históricas de Portugal - 1

Passeando pelas Aldeias Históricas de Portugal


O património histórico, social e cultural de  Portugal espelha-se nos seus museus, monumentos, nas suas gentes e nas várias localidades medievais espalhadas pelo país, que apesar de parecerem perdidas no tempo, não podem de todo ficar esquecidas. As aldeias históricas de Portugal resultam dos esforços de diversas gerações de Reis, para fortificar a região, de maneira a defender o nosso território e assim ao longo dos séculos foi-se construindo um património que ainda hoje permanece e invoca a bonita História de Portugal.

Como boa portuguesa que sou (apesar de ter nascido nos EUA, sou 100% portuguesa) adoro conhecer e explorar a riquíssima história que o nosso país tem para oferecer. Assim, hoje o artigo é dedicado às 11 das 12 aldeias históricas do nosso país, uma vez que não me foi possível visitar a aldeia de Castelo Mendo e como tal, não poderei falar dela.
Neste pequeno artigo tentarei falar um pouco das aldeias em questão e alguns dos pontos que visitei e que acho que serão obrigatórios para quem visita o local.

Almeida
Almeida localiza-se no distrito da Guarda e é conhecida pela sua fortaleza (que forma uma estrela de doze pontas),  sendo um dos mais bonitos exemplares europeus dos sistemas defensivos do séc. XVII. Acredita-se que a sua origem remonta a 61 a. C., quando vários habitantes de um castro lusitano, terão migrado para esta zona. O seu nome provém do árabe Al-Mêda (a mesa) e passou para a posse de Portugal aquando do Tratado de Alcanizes, em 1297.

Entrada para Almeida

O que visitar:

- Picadeiro d'el Rei
A sua função inicial era servir como Trem de Artilharia e Arsenal e também para a manufatura e reparação de equipamento bélico. Durante algum tempo, serviu igualmente de quartel de artilharia e Fábrica de Pão. Posteriormente, no séc. XIX, sofreu vários bombardeamentos, ficando em ruínas. No final do séc. XX foi restaurado, mantendo algumas das características do edifício inicial, nomeadamente o portal com as armas reais e o muro circular. Actualmente, funciona como picadeiro, onde se praticam várias actividades equestres.


Picadeiro d'el Rei

- Porta Magistral de Santo António
A Porta Magistral de Santo António, datada do século XVII, foi projectada por Jerónimo Velho de Azevedo. Lateralmente, encontra-se protegidas pelas Casas da Guarda, latrinas e pias.


Porta Magistral de Santo António

- Igreja da Misericórdia
A Igreja da Misericórdia é um edifício do final do séc. XVII, que se encontrava anexo ao antigo Hospital com o mesmo nome, constituindo a Casa da Misericórdia. Acredita-se que a mesma será obra de Jerónimo Velho de Azevedo e possui uma imagem arquitectónica na fachada que mais não é que uma réplica da imagem da Porta Magistral de Santo António.
Na capela-mor encontramos um arco triunfal em cantaria, que está ladeado por dois retábulos de talha dourada do séc. XIX


Igreja da Misericórdia

- Terreiro Velho
O Terreiro Velho é um amplo espaço, que faz alusão aos antigos alpendres do mercado, que se situavam na praça Velha.


Terreiro Velho

As minhas impressões:
Apesar de ser conhecida por ser uma autêntica obra-prima da engenharia militar, Almeida é um local absolutamente tranquilo ideal para se ir conhecendo sem pressas.
Para além destas atracções de que falei anteriormente, deve ainda ter em atenção os 2500 metros de muralhas, que forma a estrela de doze pontas, o fosso da fortaleza, que possui 12 metros de profundidade e ainda o antigo quartel de artilharia e cadeia, onde está sediada a Câmara Municipal.

Belmonte
Belmonte localiza-se no distrito de Castelo Branco e está intimamente ligada aos Descobrimentos Portugueses. A história desta localidade começa nas épocas mais remotas, mas começa a ganhar nome durante o séc. XII, quando o concelho municipal terá recebido o foral de D. Sancho I.


Belmonte

O que visitar:

- Castelo de Belmonte
O Castelo medieval de Belmonte surge associado aos Descobrimentos Marítimos, uma vez que os seus Alcaides eram da família do navegador português Pedro Álvares Cabral. Acredita-se que o mesmo data do séc. XIII, quando D. Afonso III terá dado autorização ao bispo D. Egas Fafes para construir o castelo e uma torre, para complementar o sistema defensivo já existente na zona. Posteriormente, a partir do séc. XV, o castelo passou a servir de moradia e as funções militares do mesmo passaram para segundo plano. 
Actualmente, na zona oeste da muralha ainda é possível observar uma bonita janela de estilo manuelino.


Castelo de Belmonte - Janela manuelina

- Museu dos Descobrimentos

O Museu dos Descobrimentos é um edifício de dois pisos, que terá servido em tempos como residência da família Cabral. Na fachada principal é possível ver, sobre o portão, o brasão dos Condes de Belmonte. Actualmente, alberga a Biblioteca e o Arquivo Municipal e no seu logradouro foi construído o Museu, que mais não é que um belo projecto que leva o visitante numa viagem na história da construção do nosso país.


Museu dos Descobrimentos

As minhas impressões:
Belmonte é uma localidade cuidada e limpa, cujas ruas nos levam numa viagem pelo tempo, dando uma vontade imensa de conhecer cada recanto do seu centro histórico.
Para além do que visitei é possível ainda ver o Museu Judaico, o Ecomuseu do Zêsere, o Museu do Azeite, o Cemitério Judaico e a Sinagoga, entre outros.

Castelo Novo
Castelo Novo localiza-se no concelho do Fundão e nos seus primórdios foi um dos terrenos doados pelos monarcas portugueses à Ordem dos Templários, passando depois para a posse da Ordem de Cristo, para que pudessem assegurar o que já tinham conquistado aos muçulmanos, no séc. XIII. Mais tarde, e durante o reinado de D. Manuel I, a localidade foi sofrendo alterações que resultaram num património arquitectónico belíssimo. Grande parte do acervo arquitectónico da localidade, possui características medievais, mas existem também bastantes intervenções manuelinas e barrocas.

Castelo Novo

O que visitar:
- Capela de Santo António
Localizada no Largo de Santo António, na aldeia histórica de Castelo Novo, esta capela é uma construção medieval do séc. XVI. Possui uma simples mas bonita fachada com um alpendre suportado por duas colunas e um pequeno sino no cimo do telhado, possui ainda uma planta longitudinal simples, com um único espaço.
No seu interior pudemos encontrar a imagem do santo padroeiro, que data do séc. XVII.

Capela de Santo António

 - Castelo
O Castelo, de arquitectura militar de estilo gótico e manuelino, foi erguido sobre um afloramento rochoso, na Serra da Gardunha e está ligado à presença da Ordem dos Templários na região. Acredita-se que o autor da sua edificação seja o Mestre da Ordem, D. Gualdim Pais, durante o reinado de D. Sancho I. Actualmente, apenas resta uma torre quadrangular, que foi aproveitada para construir um campanário.


Castelo de Castelo Novo

As minhas impressões:
Esta é sem dúvida uma aldeia belíssima, que vale a pena percorrer sem pressa e ir descobrindo todos os pormenores e marcas que espelham a história deste local e das suas gentes. 
Para além do que mencionei anteriormente ainda poderá visitar os Chafarizes da Bica e de D. João V, a Igreja Matriz, as casas senhoriais, a antiga forca e ainda o Parque do Alardo.

Castelo Rodrigo
Castelo Rodrigo, pertencente ao concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, terá sido conquistada ao árabes, no séc. XI e ficado dependente do Reino de Leão. Até que em 1297, aquando do Tratado de Alcanizes passou definitivamente a fazer parte do território português.
Uma das particularidades de Castelo Rodrigo era o brasão que usava, que consistia nas armas de Portugal viradas de cabeça para baixo (brasão designado como "difamado" e um exemplo raro no mundo), acredita-se que o mesmo terá sido dado pelo Rei D. João I, como forma de castigo pela localidade ter tomado partido de Castela na crise de 1383-1385. 


Paisagem a partir do Castelo

O que visitar:

- Castelo
Não há grandes certezas acerca da época da construção do Castelo de Castelo Rodrigo, mas sabe-se que aquando da reconquista cristã na Península Ibérica, Afonso IX de Leão terá mandado erguer um castelo, para integrar a linha defensiva implantada no Ribacôa. Este foi erguido 810 metros acima do nível do mar, sobre penedos de xisto e foi sofrendo várias reformas, nos diferentes reinados, quer de ampliação, quer de restauro, o que faz com que seja possível observar diferentes influências nas ruínas que ainda são possíveis observar. Da sua construção em estilo românico, é possível observar o formato circular das torres, da fase de D. Dinis vê-se o imponente portão de entrada, da época filipina mantém-se a porta principal do palácio de Cristóvão Moura, entre muitas outras características.
Em 1922, este castelo foi classificado como Monumento Nacional, tendo sido posteriormente objecto de um programa de intervenção.


Castelo

- Palácio de Cristóvão de Moura
O Palácio de Cristóvão Moura foi construído em 1590, no lugar da antiga alcáçova (zona mais elevada e mais protegida dentro de um castelo), para servir de residência a Cristóvão de Moura, filho de um antigo alcaide da vila. Este era um homem com extrema importância na administração de Portugal, durante o domínio filipino, o que fez com que o palácio fosse o símbolo da opressão espanhola para a população. Assim, aquando da Restauração da Independência portuguesa, o mesmo foi incendiado, tendo ficado em ruínas. Posteriormente, sofreu obras de consolidação dada a sua relevância militar. Contudo, apenas recentemente foi alvo de uma intervenção de "consolidação da ruína".
Actualmente, é um lugar de excelência onde se realizam diversos eventos, que pretendem realçar e divulgar a sua beleza e a sua história.


Palácio de Cristóvão Moura

- Igreja Matriz
A Igreja Matriz de Castelo Rodrigo, fundada no séc. XIII, pela Confraria dos Frades de Nossa Senhora de Rocamador, é dedicada à Santa com o mesmo nome. Esta é um belo exemplar da mistura da arquitectura românica com a arquitectura gótica, que se foi mantendo apesar das constantes obras ocorridas durante o séc. XVI e XVII.
No seu interior está dividida em três naves e possui um belo tecto composto por caixotões de madeira pintado com diversas cenas hagiográficas. Na capela-mor pudemos encontrar diversos azulejos azuis e brancos, do séc. XVIII e no altar-mor é possível ver bonitos azulejos hispano-árabes.

Igreja Matriz

- Porta do Sol

A Porta do Sol é uma das três entradas para esta bonita aldeia histórica. Possui uma orientação para nascente, o que lhe confere uma paisagem sobre o Convento de Santa Maria de Aguiar, a fronteira com Espanha e ainda sobre o Penedo Durão.


Porta do Sol

- Padrão da restauração
O Padrão da Restauração, também conhecido como Padrão de Pedro Jacques (general que comandou as tropas na batalha) é um pequeno monumento comemorativo que invoca a participação de Castelo Rodrigo nos momentos da Restauração de Independência, mais propriamente, na Batalha da Salgadela, no dia 7 de Julho de 1664. Foi classificado como Monumento Nacional.

Padrão da Restauração

- Torreões Semi-circulares
Os torreões semi-circulares (inicialmente 13), em cantaria, que se encontram na muralha que envolve a vila de Castelo Rodrigo, confere uma paisagem única, quando nos vamos aproximando da localidade. Estes foram mandados construir por Afonso IX de Leão e actualmente apenas se encontram quatro ainda erguidos, mas com os seus topos já desmoronados.

Torreões Semi-circulares

As minhas impressões:
Castelo Rodrigo ainda mantém as suas características medievais, estando rodeada por imponente muralhas que permitem recordar a sua importante e bela história, sendo um local que merece a pena ser visitado. Vá sem pressas e delicie-se com o património histórico que aqui encontrará.
Poderá ainda visitar a Igreja e o Convento de Sta. Maria de Aguiar, o poço cisterna, a torre do relógio e o pelourinho.

Idanha-a-Velha
Idanha-a-Velha é uma pequena e pitoresca aldeia, extremamente conhecida pela enorme quantidade de ruínas, sendo por isso muito importante a nível arqueológico, para Portugal. Acredita-se que nos seus primórdios (séc. I a.C.) terá sido uma cidade romana, do território da Civitas Tallius, algo que é bem comprovado pela observação das muralhas edificadas entre o séc. III e IV, aquando do início das Invasões Bárbaras. Posteriormente, foi ocupada pelos árabes, até ser tomada por D. Afonso III, Rei de Leão. Mais tarde, passou a fazer parte do Condado Portucalense e D. Afonso Henriques deu-a aos Templários e posteriormente, D. Dinis incluiu-a na Ordem de Cristo, tendo passado assim por vários povos, algo comprovado pelos achados arqueológicos.

Complexo arqueológico de Idanha-a-Velha

O que visitar:

- Sé Catedral
A Catedral de Idanha-a-Velha é a antiga Catedral do bispado da Egitânia (nome dado a Idanha-a-Velha nos seus primórdios). Esta terá sido construída no séc. VI para o culto cristão, tendo mais tarde passado a ser uma mesquita, quando ocorreu a Invasão muçulmana na Península Ibérica. Quando a Península Ibérica foi reconquistada o edifício estava em ruínas (meados do séc. XIII) e terão sido os Templários a reconstruí-lo, para depois o dedicarem a Santa Maria. 
Actualmente, é um museu, algo que acontece desde ter deixado de servir para culto no século XIX.

Sé Catedral

- Igreja Matriz
A Igreja Matriz de Idanha-a-Velha, antiga Misericórdia, foi construída no final do séc. XVI e é caracterizada pelo seu estilo renascentista, com várias influências populares. É conhecida pelo seu espólio de arte sacra, possuindo peças como a tela com a Senhora da Misericórdia, do séc. XVII e uma imagem barroca de Cristo crucificado. O seu interior é constituído por uma nave e possui uma bela capela-mor. Já na sua fachada bem no topo está uma Cruz de Tau e ainda uma Torre sineira, do séc. XVII.

Igreja Matriz

As minhas impressões:
Idanha-a-Velha é caracterizada pela sua pacatez, o que nos leva a ter alguma dificuldade a imaginar que este local foi em tempos tão movimentado e tão importante, algo que só é comprovado pelos seus magníficos achados arqueológicos, que a tornam numa autêntica aldeia museu.

Linhares da Beira
A aldeia histórica de Linhares da Beira, pertencente ao concelho de Celorico da Beira, é uma localidade medieval que terá sido habitada por romanos, visigodos e muçulmanos. Teve um importante papel na época da reconquista Cristã, papel que se foi mantendo até ao séc. XVII, uma vez que fazia parte do sistema defensivo que guardava a Bacia do Mondego. Esta bonita aldeia é um museu a céu aberto, oferecendo vistas magníficas sobre as montanhas, ar puro, história e cultura.

Linhares

O que visitar:

- Castelo
O Castelo está localizado a mais de 800 metros de altitude e foi uma das fortificações medievais mais importantes da Beira Alta. Acredita-se que terá sido construído durante o reinado de D. Sancho I e posteriormente alterado por D. Dinis. A partir do séc. XIV perdeu a sua função estratégica, quando foi alcançada a paz.
Actualmente, ainda é possível ver a Torre de Menagem e a Torre do Relógio (o relógio só foi instalado.no séc. XVII). Foi classificado Monumento Nacional em 1922, mas só em 1940 se procederam a obras de melhoria.

Castelo

- Pelourinho
O Pelourinho de Linhares da Beira é um pelourinho quinhentista, com ornamentação manuelina, com uma esfera armilar e uma cruz. Este tem uma base octogonal de três andares e o capitel tem forma de cone invertido.Neste local, muitas vezes, eram aplicados os castigos públicos, de modo a servirem de exemplo à população, mas era proibida a execução de qualquer sentença de morte. A sua história esta intimamente ligada à concessão do foral manuelina, em 1510.

Pelourinho

As minhas impressões:
Quando visitar Linhares da Beira não deixe de passear pela localidade, deixando-se encantar pelo magnífico conjunto urbano, composto pelas características e simples casas de granito e pelos belíssimos solares da nobreza.
Poderá ainda visitar a Igreja Matriz, os antigos Paços do Concelho e ainda o Solar dos Corte Real e o Solar Brandão e Melo.


Este artigo ficará por aqui, pois para que não fique muito extenso, farei um segundo artigo falando das restantes aldeias históricas.
Alguns de vós já visitou qualquer uma destas fantásticas aldeias? Gostaram?