sexta-feira, 24 de abril de 2015

Roma - Último dia

Roma - Último dia


Finalmente o artigo com o roteiro do último dia da nossa viagem a Itália. Depois da visitar Pisa, chegou o dia de regressar a Roma, para visitar o que nos restava desta frenética e maravilhosa cidade.

Para a viagem de regresso a Roma, mais uma vez optámos por viajar de comboio, na companhia Trenitália. Mais uma vez, os bilhetes foram comprados pela internet, ainda em Portugal, tal como está descrito no primeiro artigo desta série ( podem ver aqui). Desta vez, viajámos no FrecciaBianca e partimos da Estação de Pisa Centrale até à Estação Termini, a viagem teve a duração de 2h40m e pagámos um total de 28€ pelos dois bilhetes.

Chegámos a Roma por volta das 12 horas e decidimos ir direitos ao hotel, fazer o check-in e começar então a explorar o resto da cidade. Desta vez optámos por ficar no Hotel Sonya e posteriormente farei um artigo sobre o mesmo, deixando as minhas impressões.

Depois do check-in feito saímos então para começar o nosso último roteiro e bem em frente ao hotel encontrámos o primeiro edifício histórico, o Teatro dell'Opera.

Teatro dell'Opera
O Teatro de Ópera de Roma, foi inaugurado em 1880, com o nome de Teatro Constanzi, nome do empreiteiro responsável pelo financiamento e construção do projecto, Domenico Constanzi, tendo sido Achille Sfondrini, especialista em teatros, o arquitecto do projecto.
Quando em 1926 o Município de Roma o comprou, o teatro passou a designar-se de Reale dell'Opera, nome que perdurou a até ao fim da monarquia, em 1958, passando depois para o nome que mantém até hoje.
Apesar deste ser um local bem antigo e com imensa história, certo é que não é algo que chame a atenção como tantos edifícios espalhados pela cidade.

Teatro dell'Opera
Seguidamente, dirigimo-nos para a enorme Basílica Santa Maria Maggiore, que ficava bem perto do hotel.

Basílica Santa Maria Maggiore
A Basílica de Santa Maria Maior é uma das quatro basílicas patriarcais de Roma, foi construída entre 432 e 440, durante o pontificado do Papa Sisto III e dedicada à Virgem Maria. Reza a lenda que foi a própria Virgem Maria que escolheu o local para a construção da mesma, enviando um sinal em forma de nevão, em Agosto.
Este foi um daqueles locais que nos deixou de queixo caído, tanto pela sua enormidade, quer pela sua beleza e para além disso encontra-se enquadrada numa bonita praça, o que a torna ainda mais espectacular. Tal como já referi noutros artigos, pretendo fazer um sobre as 10 igrejas que mais me impressionaram em Roma, sendo esta uma dessa igreja. Como tal, nessa altura falarei um pouco mais sobre esta inesquecível igreja.

Fachada lateral
Fachada da Igreja 
Interior da Igreja

Depois da visita à Basílica decidimos comprar bilhetes para os transportes públicos da cidade, uma vez que tínhamos decidido visitar zonas mais afastadas do centro histórico. Comprámos 2 bilhetes para cada um de 100 minutos. Cada bilhete teve um custo de 1,50€. Então apanhámos um autocarro que nos deixou perto do Circo Massimo e aproveitámos para comprar umas fantásticas sandes no Bar Circo Massimo e de sentarmo-nos num banco e apreciar a paisagem enquanto matávamos a fome.

Circo Massimo
O Circo Massimo é uma antiga arena e local de entretenimento da Roma Antiga, utilizado pelos reis etrusco como palco de jogos e corridas. Mais tarde, Júlio César sentiu a necessidade de expandir este local, de modo a permitir aumentar a capacidade de espectadores. Este ocupa quase todo o vale que se estende entre o Palatino e o Aventino. Acredita-se que grande parte do património que em tempos existiu aqui ainda se encontra enterrado.
Este é um local fantástico para descansar um pouco e aproveitar para falar com as pessoas que por aqui circulam.

Circo Massimo

Depois da barriguinha recomposta, seguimos em direcção à Praça Boca da Verdade, onde pudemos apreciar várias atracções.

Basílica di Santa Maria in Cosmedi
A primeira das quais foi a Basílica de Santa Maria em Cosmedi, fundada no séc. VI, sobre as ruínas de um antigo edifício. Esta foi entregue aos gregos, que tinham fugido do Império Romano do Oriente, durante o séc. VIII.
Esta é uma igreja bem simples, cujo exterior é de tijolo com um vestíbulo de dois andares e possui ainda um bonito campanário. No seu interior a simplicidade mantém-se, com tectos planos de madeira, as colunas são simples e dando a sensação de simplesmente servirem de decoração.
Apesar da sua simplicidade, esta é uma bonita igreja com várias particularidades muito próprias e que a tornam única. A primeira das quais é o Altar de Hércules, situado no piso subterrâneo da igreja e a outra é a famosa Boca da Verdade.

Fachada da Igreja
Interior da igreja
Altar de Hércules

- Bocca della Verità
Na parte de fora da igreja podemos encontrar a famosa Boca da Verdade, que mais não é que uma máscara de Tritão, em mármore, que tem a boca aberta. Diz-se que a estátua tem o poder de detectar mentiras e quem lá meter a mão corre o risco de ser mordido, caso seja um mentiroso.
Ainda pensámos ir tirar uma foto e ver se algum de nós era mordido, mas a final era interminável e ainda queríamos ver tanta coisa, que optámos por deixar isso para uma próxima oportunidade.

Boca da Verdade

Seguimos depois bem para o centro da Praça de onde vimos o Templo de Hércules e o Arco de Jano.

Tempio di Ercole
O Templo de Hércules, data do séc. II a.C. e é um monumento redondo composto por 20 colunas coríntias, sendo o monumento mais antigo da cidade feito em mármore. Mais tarde, em 1132, foi convertido numa igreja dedicada a Santo Estevão das Carroça e já na segunda metade do séc. XVI a igreja foi dedicada à Santa Maria do Sol. Acredita-se que será Mummius Acaico o autor deste bonito projecto e apenas foi reconhecido oficialmente como um monumento antigo em 1935.

Templo de Hércules
Arco di Giano
O Arco de Jano (nome do guardião do submundo de duas cabeças), data do séc. IV e é o único arco quadriforme preservado na cidade. Acredita-se que este não foi construído como Arco Triunfal ou dedicado a algum imperador ou divindade, mas sim para servir de portão, que era utilizado por comerciantes, para se abrigarem do mau tempo. Em pleno séc. XVIII foi remodelado, de forma a servir como parte de uma fortaleza.
Este é um monumento que passa um pouco despercebido se não soubermos que o mesmo há-de estar ali algures, até porque bem em frente a ele se encontra um parque de estacionamento e geralmente as pessoas preferem caminhar nas margens do Rio.

Arco de Jano

Tempio di Portuno
Também bem próximo da Praça Boca da Verdade, encontramos o Templo de Portunus, um templo dedicado ao Deus Portunus, que data do séc. I a.C.. Este é um bonito pórtico rectangular, composto por várias colunas. A sua construção é feita em travertino e tufo ( uma espécie de rocha vulcânica). Dada a sua beleza invulgar este monumento tem servido de inspiração a tantos outros desde o séc. XVI.

Templo de Portunus

Depois de deixarmos esta zona seguimos junto à margem do Rio Tibre em direcção ao famoso bairro de Trastevere.

Ponte Fabricio
Para chegar a este bairro boémio podemos passar pela histórica Ponte Fabricio, que é a mais antiga ponte romana da cidade, conseguindo manter-se preservada até aos dias de hoje e que nos permite aceder à Ilha Tiberina. Foi construída no séc. I a.C, a mando de Lucius Fabricius.

Ponte Fabricio
Em cima da Ponte

Isolda Tiberina
Passando a Ponte Fabricio chegamos à Ilha Tiberina, que é uma pequena ilha em forma de barca, no Rio Tibre, que se situa entre o Gueto (bairro judaico) e Trastevere. É famosa, pois era onde se encontrava o Templo de Esculápio, deus grego da Medicina. Durante muito tempo os romanos evitavam aproximar-se do local, pois acreditavam que este era amaldiçoado e só com a construção do Templo é que essa crença desapareceu. Aqui é possível encontrar o Hospital Fatebenefratelli e a Igreja de São Bartolomeu.

Ilha Tiberina
Igreja São Bartolomeu

Trastevere
Logo depois de passarmos a Ilha Tiberina chegamos a Trastevere, que é um bairro centenário com uma atmosfera única, caracterizado pelas suas ruas de paralelos estreitas e sinuosas. Sendo o único local em Roma que sobreviveu ao período medieval e que mantém a sua identidade local bem presente. Inicialmente, este bairro não fazia parte da cidade, tendo sido o Imperador Augusto a anexar Trastevere à cidade, numa altura em que este era habitado por judeus e sírios.
Foi dos locais que mais gostei na cidade, pois toda a atmosfera envolvente é fantástica e temos a sensação que estamos num local parado no tempo e ainda podemos visitar várias atracções fantásticas.

Ruas de Trastevere

Basílica di Santa Cecília in Trastevere
O primeiro local por nós visitado foi a Basílica de Santa Cecília, que foi construída no local onde era a casa de Cecília e seu marido, dois mártires cristãos do séc. III. Esta bonita igreja foi construída no séc. IX, mas só no final do séc.XVI, o corpo de Santa Cecília foi trazida para a mesma. Posteriormente, o escultor Stefano Maderno ficou encarregue de esculpir uma estátua em mármore, reproduzindo a posição em que o corpo foi encontrado aquando da exumação. Maderno conseguiu representar bem o corpo de uma mulher torturada até à morte, pois depois de sobreviver à sua sentença de ser afogada em água a ferver, foi decapitada.
O único senão é que a mesma estava fechada e não a podemos visitar por dentro.

Basílica de Santa Cecília

- Chiesa di San Francisco a Ripa
Na nossa descoberta pelo bairro, encontrámos a Igreja de São Francisco a Ripa, construída no lugar da hospedagem onde São Francisco de Assis ficou quando, em 1219 visitou Roma. O edifício actual remonta ao séc. XVII, com projectos da abside de Onorio Longhi e da fachada por Matthias de Rossi. A igreja está ricamente ornamentada, sendo a sua grande atracção a escultura da Beata Ludovica Albertoni, esculpida por Bernini e que representa uma beata num estado de êxtase religioso. É também uma das muitas igrejas da cidade que nos deixa completamente deslumbrados.

Fachada da Igreja
Interior da Igreja
Capela de São João de Capestarno
Capela São Pedro de Alcantâra

- Basílica di Santa Maria in Trastevere
Outro dos locais absolutamente inesquecíveis do bairro de Trastevere é a Basílica de Santa Maria em Trastevere, igreja mais importante deste bairro. Esta dá igualmente nome à Praça que a acolhe, sendo a mais antiga das igrejas dedicadas a Maria, na cidade. Foi fundada no séc. III, pelo Papa Calisto I e a sua fachada é precedida por um bonito pórtico, projectado por Carlo Fontana. Aqui podemos encontrar as relíquias de São Júlio I, assim como os corpos de São Calisto I e Inocêncio I.
Esta é mais uma das igrejas que terá lugar de destaque num novo artigo.

Fachada da Basílica
Interior da Basílica

- Piazza Trilussa
No passeio pelas belas ruas do bairro encontrámos a Praça Trilussa, que é dedicada ao poeta romano Carlo Alberto Salustri "Trilussa", com um monumento que retrata o mesmo, no centro da Praça. A Praça têm ainda uma escadaria que têm sempre pessoas sentadas, quer a conversar, a desenhar, a ler ou apenas a descansar. Este é um dos locais mais populares e lotados da noite em Roma e é o ideal para quem quer descansar um pouco e se deixar envolver pela rotina agitada que aqui se sente.

Praça Trilussa

- Basílica di San Crisogono
Quando já estávamos no caminho de regresso para o próximo bairro, encontrámos a Basílica de São Crisógono, construída por volta do séc. IV, e que foi uma das primeiras igrejas paroquiais da cidade. É dedicada ao mártir São Crisógono e ao longo dos séculos tem sofrido várias reformas até chegar ao estado actual.
Actualmente serve a Ordem dos Trinitários, mas durante muito tempo foi a igreja nacional dos sardenhos e corsos, que residiam em Roma.
E apesar de a termos encontrado por acaso, esta foi uma das minhas igrejas preferidas e como tal, irei falar um pouco mais sobre ela num outro artigo.

Interior da Basílica
Fachada da Basílica
E terminámos assim a nossa descoberta por este bairro boémio, absolutamente inesquecível e seguimos em direcção ao próximo bairro, o Gueto Judaico, que fica bem próximo depois de atravessarmos o rio.

Guetto
O Gueto Judaico foi instituído em Roma, em 1555, pelo Papa Paulo IV, tendo sido controlado pelo papado até cerca de 1870.
Este era um quarteirão que se encontrava murado e possuía três portas que eram fechadas durante a noite, para que os seus moradores não saíssem de lá. O gueto encontrava-se frequentemente inundado pelas águas do Rio Tibre, dado a sua localização e também não possuía uma rede de esgotos. Além das condições desumanas em que os judeus eram obrigados a viver, ainda tinha que usar um pano (os homens) ou um véu (as mulheres) amarelo, que os distinguia do resto da população.
Depois de 1870, os judeus puderam fixar a sua residência em outras áreas da cidade, mas continuando sempre a manter uma ligação muito especial com esta área, até porque é o local onde ainda se encontram os principais marcos da comunidade judaica na cidade.
Este foi mais um dos locais que adorei, na cidade. A atmosfera que aqui se vive é absolutamente fantástica, o cheiro a comida sente-se em todo o local, dando vontade de entrar num daqueles bares e experimentar os petiscos.


Gueto Judaico

- Sinagoga
Logo à entrada do bairro, depois de passar o Tibre, encontramos a Sinagoga, que foi construída entre 1901 e 1904, numa das áreas degradadas do gueto judaico, depois da unificação de Itália e quando Vittorio Emanuele II mandou reconstruir o gueto e concedeu a cidadania aos judeus italianos. Este edifício foi projectado por Vincenzo Costa e Osvaldo Armanni. 
O local foi, em 1986, palco da primeira visita de um pontífice romano a um lugar de culto judaico, acto que coube ao Papa João Paulo II. Aqui podemos encontrar o Museu Judaico de Roma, onde podemos ver diferentes peças do património histórico, cultural e artístico desta comunidade. Nós optámos por não entrar pois ainda nos faltava tanto para ver que não queríamos perder muito tempo.

Sinagoga

- Chiesa S.Maria in Publicolis
Bem no interior do bairro, encontrámos a Igreja de Santa Maria em Público, de estilo barroco, que foi construída no Palácio Santacroce, por volta de 1186 e várias foram as reformas que sofreu ao longo dos anos. A última das quais pelas mãos de Giovanni Antonio de Rossi, por volta de 1642.
Desde 1835 que é sede da dos Missionários dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Mas também não nos foi possível visitar por dentro pois estava encerrada.

Fachada

- Fontana delle Tartarughe
Um dos locais mais bonitos do Gueto, para mim é a Praça de Mattei, com a Fonte das Tartarugas. Esta foi construída entre 1580 e 1588 pelas mãos do arquitecto Giacomo della Porta e do escultor Taddeo Landini e denominava-se de Fonte de Mattei. Acredita-se que a mesma foi construída depois do Duque Mattei ver o seu noivado rompido, depois de ter perdido uma enorme fortuna. Para provar que continuava rico, este mandou construir a fonte e colocá-la à porta do seu Palácio (na altura os maiores construtores de fontes na cidade eram os Papas e os Cardeais), o que acabou por fazer com que o noivado fosse reatado.
Em 1658, esta fonte sofreu algumas alterações, pela mão de Lorenzo Bernini, que adicionou quatro tartarugas nas mãos dos quatro jovens, representados na fonte. Este jovens seguram com a outra mão e o pé quatro golfinhos.

Fonte das Tartarugas
Pormenor da Fonte
Não pode deixar de visitar este encantador local, e quando o fizer não siga um roteiro, mas caminhe sem destino e deixe-se envolver pela história do local.
Depois de nos deixarmos perder por este histórico bairro, seguimos o nosso caminho para visitar o que ainda nos faltava e logo à saída do mesmo, deparámo-nos com o Largo da Torre Argentina e as suas ruínas.

Largo di Torre Argentina
Este Largo da Torre Argentina, não é mais que uma praça, onde se encontram vestígios de alguns templos da época da República Romana e ainda as ruínas do Teatro de Pompeu.
O complexo arqueológico, também conhecido como Area Sacra, foi descoberto em 1926 e foram encontradas as ruínas de 4 templos, que foram originalmente designados por A, B, C e D (de norte para sul), uma vez que não se sabe ao certo a quem foram dedicados. Contudo, acredita-se que o Templo A (provavelmente o Templo de Juturna) terá sido construído no séc. III a.C para comemorar a vitória de Caio Lutácio sobre os Cartaginenses, tendo sido mais tarde transformado numa igreja. O Templo B (é referido como Aedes Fortunae Huiusce Diei), é circular e com seis colunas, terá sido construído no séc. II a.C., para celebrar a vitória de Lutácio Catulo sobre os Cimbros. Já o Templo C, será os mais antigo de todos e data de III ou IV a.C., e provavelmente dedicado a Feronia, antiga deusa da fertilidade. E por fim o Templo D, que data do séc. II a.C., devoto a Lares Permarini.
É um bonito local para passear e tirar uma bonitas fotos.

Area Sacra

Chiesa del Gesù
E bem próximo podemos encontrar a Igreja de Jesus, uma bonita igreja de estilo barroco, construída no séc. XVI, por Giacomo Vignola.  A sua bonita fachada reúne elementos da Renascença e do Barroco, tendo sido Giacomo della Porta, o seu autor. Esta deslumbrante igreja foi fundada por Ignácio de Loyola (fundador da Sociedade de Jesus) e pertence à Ordem dos Jesuítas.
Não tinha grandes expectativas em relação a esta igreja pois levei um guia da cidade e lá não davam grande destaque à mesma, pois devo dizer que foi provavelmente a igreja mais deslumbrante que já vi na minha vida. E como tal, falarei mais pormenorizadamente sobre ela num outro artigo.

Fachada
Interior da Igreja

Basílica del Sacro Cuore di Gesú
Para terminar decidimos ir até à Basílica do Sagrado Coração de Jesus, que fica mesmo ao lado da Estação Termini e que nos tinha chamado a atenção logo no primeiro dia que chegámos à cidade. Esta foi mandada construir pelo Papa Pio IX, em 1870, sob o comando do arquitecto Francis Vespignani. Em 1921, o Papa Bento XV elevou-a à categoria de Basílica Menor e mais tarde foi estabelecida como igreja titular do Sagrado Coração de Jesus. No cimo do seu campanário está a estátua do Cristo Redentor (1931) e foi esta estátua que nos chamou à atenção, pois não é comum ver algo tão bonita e gradioso, no cimo de um campanário.

Cristo Redentor
Fachada da Igreja
Interior da Igreja

E chegava assim o fim da nossa viagem por três cidades inesquecíveis, que nos tinham enchido a alma. Foi uma viagem com um sabor muito especial, até porque pela primeira vez éramos três e apesar de ainda estar na barriga, já se fez notar pois já não foi possível fazermos tudo o que queríamos. Isto quer pelo cansaço que sentia, quer pelo medo que tinha de fazer algo que prejudicasse a minha filha.

Caso estejam para viajar para alguns destes locais e queiram mais algum tipo de informação, não deixem de o fazer pois terei todo o gosto em ajudar.

Ainda tenho mais uns quantos artigos preparados sobre a viagem e que irei colocando ao longos dos próximos tempos.

Espero que tenham gostado :).

E vocês já visitaram Itália? O que acharam? Ou ainda querem visitar?
Este blog tem parceria com o Booking. Se pretender fazer a sua reserva para ficar alojado em qualquer cidade da Itália, contrate o serviço por aqui e estará ajudando o nosso blog, já que o nosso trabalho é voluntário.

Os outros artigos da série referente a esta viagem - roteiros: 

Os outros artigos da série referente a esta viagem - hotéis:

Outros artigos dedicados a Roma

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Hotel Bologna****

Hotel Bologna****


Hoje o artigo é sobre um dos hotéis em que ficámos durante a nossa viagem a Itália, mais propriamente em Pisa, o Hotel Bologna.

Este histórico hotel de 4 estrelas, ocupa um elegante palácio tipicamente toscano, e situa-se no centro histórico de Pisa, a meio caminho da Praça dos Milagres e da Estação Pisa Centrale.

Tal como referi no primeiro artigo desta série (que podem ver aqui), pagámos 59€, por uma noite, com pequeno almoço incluído e pagámos ainda uma taxa turística de 4€.

Possui todas as comodidades necessárias para passar uns dias muito bem alojado, nomeadamente estacionamento privativo, wi-fi gratuita, lavandaria, entre outros. E posso garantir que o atendimento é do melhor, com toda a simpatia e amabilidade que possam imaginar.
Quando entrámos na recepção do hotel ficámos logo encantados com com a decoração maravilhosa da mesma, não que fosse luxuosa mas sim típica da Toscana, o que nos faz usufruir ainda mais da experiência de visitar novos locais. Não é propriamente novo, mas para mim é esse um dos motivos que o torna tão encantador.

Zona da Recepção
Recepção
Gira-Discos na zona da recepção
Elementos da decoração junto à recepção
Elementos da decoração próximo da recepção
Os quartos são extremamente espaçosos e cheios de cor, possuem uma zona de descanso e uma zona de trabalho, o que com toda a certeza dará muito jeito a quem estiver numa viagem de trabalho. A casa-de-banho é que é relativamente pequena, mas nada que incomode.
Ah....E as garrafas de água consumidas no quarto são gratuitas...Confesso que é a primeira vez que vejo isso num hotel.

Entrada do quarto
Quarto
Entrada da casa de banho
Casa de banho

Uma das principais características deste hotel, que o diferenciam dos restantes é a possibilidade de poder degustar gratuitamente, vários produtos tradicionais da Toscana, seleccionados a partir de produtores e empresas familiares históricas locais,todas as noites no bar do hotel (entre as 19h e as 21h). E caso queira pode ainda comprar os mesmos produtos na recepção.
Possui ainda um pequeno-almoço bastante variado que inclui frutas, pão, pastelaria, sumos, bebidas quentes, entre outros. Havendo ainda a hipótese de serviço de take-away para aqueles que têm de efectuar o check-out mais cedo.

Como já puderam entender pelos meus comentários este é um alojamento que aconselho vivamente e que certamente será onde ficarei se voltar de novo a Pisa. Não tenho qualquer aspecto negativo a apresentar ao Hotel Bologna e a todo o seu staff.
Se pretende saber um pouco mais sobre o hotel e fazer a sua reserva, basta aceder aqui.

Espero que tenham gostado :)

E vocês já visitaram Itália? O que acharam? Ou ainda querem visitar?
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Os outros artigos da série referente a esta viagem - roteiros: 

Os outros artigos da série referente a esta viagem - hotéis:


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pisa - 6º dia

Pisa - 6º dia

Este é mais um artigo dedicado à série referente à minha viagem por Roma, Florença e Pisa. Hoje o artigo é dedicado à cidade de Pisa, a terceira cidade da nossa viagem por Itália. Pisa é uma das "jóias da coroa" de Itália e tem muito mais a oferecer que apenas a sua famosa torre inclinada. Tem um centro histórico belíssimo, com vários edifícios com fachadas de mármore que reluzem à luz do sol e criam uma paisagem de tirar o fôlego e ainda uma vida muito própria e única.

Caso tenha curiosidade em saber as primeiras impressões sobre a cidade pode sempre ver o primeiro artigo desta série, onde falo dos aspectos positivos e negativos da cidade (aceda aqui).

Mais uma vez optámos por viajar de comboio, na companhia Trenitalia. Estes bilhetes foram comprados na própria estação, pois não era possível fazê-lo pela internet. Partimos da Estação S.M.Novella, em Florença, rumo à Estação Pisa Centrale. A viagem teve a duração de 1 hora e pagámos cerca de 8€ por pessoa. 

Quando chegámos a Pisa ainda era muito cedo para fazer o check-in, como tal decidimos começar a descoberta pela cidade, enquanto íamos em direcção ao hotel, uma vez que este ficava a meio caminho entre a estação de comboios e a Praça dos Milagres (praça onde está a famosa Torre de Pisa).

Assim que saímos da estação seguimos em direcção à Praça Vittorio Emanuele, que é uma praça ampla e onde estão várias barracas a vender artesanato local.

Piazza Vittorio Emanuele
- Chiesa Sant'Antonio
Na Praça podemos encontrar a Igreja de Santo António, que foi fundada em 1341, tendo sido reconstruída após a Segunda Guerra Mundial. Na parte de trás do pátio, podemos encontrar o grande mural Tuttomondo de Keith Haring, última obra pública deste artista. Uma das coisas que nos fomos apercebendo ao longo do dia é que a maior parte das igrejas estava fechada e só conseguiríamos apreciar o seu exterior.

Praça Vittorio Emanuele
Igreja de Santo António

- Keith Haring Murale
Tal como referi, na parte de trás do pátio da Igreja de Santo António, encontrámos o Tuttomodo, que é um mural criado pelo norte-americano Keith Haring, em 1989, na parede exterior da Igreja de Santo António. Este é o maior mural feito na Europa, com cerca de 180 metros quadrados, aqui Haring encontrou o local perfeito para resumir toda a sua experiência artística, deixando um marco da sua linguagem visual e enviou uma mensagem de paz universal, estendendo a mão para os cidadãos da cidade.

Tuttomodo

Seguimos depois em direcção ao Corso Itália, que é talvez a rua mais movimentada cidade e onde encontramos a maior parte do comércio da cidade, com todas as lojas comuns em qualquer cidade europeia. Mas nesta rua podemos também encontrar várias atrações, tendo sido assim que encontramos a Igreja de São Domenico.

Chiesa di San Domenico
A Igreja de São Domenico foi mandada construir, durante o séc. XIV, por Pietro Gambacorti, com um convento adjacente de freiras dominicanas, para a sua filha, a Santa Chiara Gambacorti. Mais tarde, no séc. XVIII o interior foi renovado, prevalecendo o estilo barroco. Contudo, durante a Segunda Guerra Mundial, o convento foi todo destruído e actualmente, a pequena igreja é utilizada pela Ordem dos Cavaleiros de Malta. No seu interior podemos encontrar diversas pinturas medievais a decorar as paredes e ainda uma tela de Giovanni Battista Tempesti, com as Histórias da Santíssima Chiara. Esta foi talvez uma das igrejas que tive mais pena de não poder visitar, uma vez que estava fechada, não sei explicar mas a sua fachada lembrando a época medieval despertou em mim uma vontade enorme de a visitar por dentro. Mas enfim...

Igreja de São Domenico

Chiesa di Santa Maria del Carmine
Outra das igrejas possíveis de visitar no Corso Itália é a bonita Igreja da Santa Maria Carmine, construída em 1325, pelas Carmelitas. Durante o séc. XV sofreu algumas alterações, que a tornaram mais rica. Essa alterações passaram pelo acrescentar de capelas privadas e altares barrocos magníficos a esconder as estruturas medievais, com pinturas de Baccio e Aurelio Lomi, Santi di Tito, entre outros. A fachada actual foi construída em 1835 com trabalhos do artista Carrara.

Fachada da Igreja de Santa Maria de Carmine
Nave Central

Decidimos depois ir comer qualquer coisa, num dos muitos cafés do Corso Itália, para depois ir fazer o check-in e então partir à descoberta do resto da cidade.
Após a barriga cheia dirigimo-nos ao Hotel Bologna, fantástico hotel da cidade de Pisa e que posteriormente farei artigo, fizemos o check-in, mudámos de roupa, pegámos no mapa cedido pelo hotel e saímos à descoberta da cidade.
Na procura pela Igreja San Paolo a Ripa d'Arno, encontrámos a Cappella di Sant'Agata.

Cappella di Sant'Agata
A Capela de Santa Ágata é uma pequena capela românica, construída em 1063, pelos monges e foi erigida para comemorar a conquista da cidade de Palermo, dedicando-a ao Santo Mártir da Sicília. Localiza-se por detrás da Igreja San Paolo a Ripa d'Arno.
Até à Segunda Guerra Mundial, a capela estava protegida por um claustro, contudo no bombardeiro de 1943 essa estrutura foi destruída ficou decidido que não se procederia à sua reconstrução e a Capela ficaria agora numa zona pública e à vista de todos. Fiquei um pouco desiludida, não com a Capella em si (que mais uma vez só se vê por fora), mas com a falta de higiene presente no jardim à volta da mesma, onde só se vêm dejectos de animais.

Capela de Santa Ágata

Chiesa San Paolo a Ripa d'Arno
Logo a seguir está a Igreja de San Paolo a Ripa d'Arno, que foi fundada por volta de 925 e é uma das obras primas da arquitectura românica.  Por volta de 1092 a igreja foi anexada a um mosteiro, tendo sido sede dos monges de São Bento. Ao longo dos séculos vários foram os responsáveis pela mesma, ao mesmo tempo que foi sofreram diversas alterações A sua fachada foi concluída no séc. XIV por Giovanni Pisano e no seu interior podemos encontrar um sarcófago romano do séc. IV, um crucifixo do séc. XIII e ainda frescos de Buffalmacco e Turino Vanni.
Mas mais uma vez a igreja estava fechada e ainda tinha uma cerca à volta, como podem ver na figura.

Igreja San Paolo a Ripa d'Arno

Torre Guelfa
Bem em frente à Igreja está uma bonita praceta onde podemos sentar e apreciar a paisagem à volta, nomeadamente a Torre Guelfa. Esta foi construída aquando do domínio Fiorentino na cidade, em 1406. E tinha como função permitir avistar tudo à volta, de maneira a proteger a cidade e antecipar qualquer ataque. Durante o bombardeiro de 1944, foi praticamente destruída, mas em 1956 foi completamente restaurada e onde se tentou recriar a torre inicial.
Actualmente, está aberta ao público e quem a visita consegue vislumbrar paisagens magníficas.

Torre Guelfa

Santa Maria della Spina
Deixámos a praceta e fomos à procura da Igreja de Santa Maria do Espinho. Esta é uma igreja de estilo gótico, construída em 1230, a mando da famíla Gualandi, sendo um dos edifícios góticos mais notáveis da Europa. O seu nome actual foi atribuído apenas em 1333, quando trouxeram para este local uma relíquia fantástica, um espinho da coroa de Cristo.
Ao longo dos anos várias foram as restaurações sofridas por esta bonita igreja, muito em parte devido ao aluimento das terras e à sua proximidade ao Rio Arno. 
No seu interior, por sinal bem mais simples que o seu exterior, podemos encontrar algumas obras primas da escultura gótica. Nomeadamente, A Madonna da Rosa de Andrea e Nino Pisano e ainda o tabernáculo, onde se encontra o espinho da coroa de Cristo, de Stagio Stagi. Esta foi talvez a maior desilusão de todos, pois para além de estar fechada, estava cheia de andaimes à sua volta o que não permitia usufruir da beleza da mesma.

Fachada em obras
Chiesa di Santa Cristina
Bem próximo da igreja anterior, encontrámos a Igreja de Santa Cristina, que foi fundada no séc. VIII, contudo terá sido destruída por uma inundação em 1115 e reconstruída três anos depois, tendo sofrido novas alterações ao longo dos anos. A estrutura actual data de 1816 e resulta do projecto de Francesco Riccetti. No seu interior podemos encontrar várias obras neoclássicas. Entre elas, uma pintura de Passignano, um tabernáculo do séc.XIV da Madonna e o Menino e ainda uma cópia do Crucifixo Medieval, de Enrido di Tedice. Finalmente encontrávamos uma igreja aberta e que seria possível visitar, mas parece que a sorte não queria nada connosco, pois estava a ocorrer um batizado, o que não nos permitiu tirar fotos ao seu interior.


Igreja de Santa Cristina

Logge di Banchi
Logo ao virar da esquina está o Logge di Banchi, que é um pórtico, apoiado por doze colunas, construído em 1603, segundo o projecto de Bernardo Buontalenti. O nome Banchi refere-se ás bancas utilizadas na época para a venda de lã e seda. Actualmente, é um espaço onde se realizam diversos mercados (o mais famoso é o mercado mensal de antiguidades). No piso superior funciona o Arquivo Nacional e o acesso à mesma é feito a partir de uma ponte que a liga ao Palácio Gambacorti.

Logge di Banchi
Palácio de Gambacorti
Chiesa di San Sepolcro
Outro dos locais que encotrámos por acaso foi a Igreja do Santo Sepulcro, construída no início do séc. XII e projectada por Diotisalvi (que projectou igualmente o Batistério de Pisa). Acredita-se que tenha pertencido aos Cavaleiros Hospitalares de São João de Jerusalém e mais tarde aos Cavaleiros de Malta. No seu interior podemos encontrar a lápide de Maria Mancini Colonna, sobrinha do Cardeal Mazarin, um relicário de São Ubaldesca e ainda um painel do séc. XV de A Madona e o Menino.

Igreja de San Sepolcro
Igreja de San Sepolcro

Chiesa di San Martino
Outra das igrejas que encontrámos na nossa descoberta pela cidade foi a Igreja de San Martino e para nossa felicidade, estava aberta....MILAGRE..... Acredita-se que a Igreja de San Martino tenha sido construída em 1067, pertencente à Ordem Agostiniana. Em 1395 passou a ser conhecida como a Capela do Santíssimo Sancramento. Exteriormente, vemos uma fachada em mármore, que possui uma cópia de baixo relevo de San Martino e o homem pobre, atribuído a Andrea Pisano (o original encontra-se no interior), o lado esquerdo da igreja é feito de tijolo, o que acaba fazer um contraste engraçado com a sua fachada. O seu interior é bastante simples e ali pode-se encontrar um crucifixo de madeira pintado por Henry Tedice, no séc. XIII, no tecto encontramos o fresco O Redentor e os Santos,  do séc. XIV de Giovanni di Nicola e Cecco di Pietro.

Fachada da Igreja

Lado esquerdo da Igreja
Interior da Igreja

Ponte di Mezzo
Chegava então a hora de passar para o outro lado da cidade e ir em direcção à Praça dos Milagres, para tal era necessário passar o Rio e como não podia deixar de ser tínhamos que fazê-lo na original Ponte de Mezzo, que remonta à época romana. Contudo, ao longo dos séculos várias foram as reformas sofridas, a ponte actual foi projectada por Sergio Aussanttem, por volta de 1949 e tem 89 metros de comprimento e os seus lados são reforçados por pedra branca de Verona. Esta elegante ponte, localizada no centro da cidade, liga a Piazza Garibaldi à Piazza XX Settembre e é famosa devido a uma competição que ali ocorre no último domingo de Junho, todos os anos, tradição que remontam à Idade Média.

Vista sobre o Rio Arno a partir da Ponte di Mezzo

Chiesa di San Pietro in Vicoli
Depois de passar a Ponte de Mezzo encontramos a Igreja de São Pedro in Vicoli, de estilo românico, que foi consagrada em 1118, pelos Agostinianos. Esta bonita igreja foi construída em blocos de pedra e a fachada frontal é dividida em dois níveis distintos, o nível inferior é decorado com cinco arcos separados por rosáceas e losangos e por três portas, enquanto que o andar superior é composta por três arcos e uma janela central.

Igreja de San Pietro in Vicoli

Chiesa di Sant'Andrea in Foriporta
Outra igreja por nós vista foi Igreja de Sant'Andrea in Foriporta, que surge documentada desde 1104 e o seu nome surge uma vez que esta se localizava fora das paredes medievais da cidade. Este local serviu como igreja até 1839, tendo sido usado posteriormente como mercado de peixe. Durante a Segunda Guerra Mundial ficou fortemente danificada, tendo que ser restaurada e foi reaberta ao público em 1948. Actualmente, funciona como teatro, o Teatro de Sant'Andrea.

Igreja de Sant'Andrea in Foriporta

Chiesa di Santa Cecilia
Como podem constatar muitas foram as igrejas com que nos deparámos ao longo do dia, pena mesmo só o podermos fazer da parte de fora. A Igreja de Santa Cecília, foi outra das igrejas que vimos. Esta foi fundada em 1102 pelos monges Camaldolese, num terreno doado pela família Visconti, tendo sido consagrada em 1107. O edifício é de tijolo com base de pedra e a sua fachada é decorada com uma bonita janela, possui ainda um campanário de tijolo, datado de 1236 e que abriga três sinos do séc. XIV. Este foi outros dos locais que teve que ser reconstruído depois da Segunda Guerra Mundial.

Igreja de Santa Cecília

Chiesa di San Paolo All'Orto
Bem perto está outra bonita igreja, a Igreja de San Paolo All'Orto, que surge documentada pela primeira vez em 1086, com o nome de San Paolo in Burgo. Desde o séc. XII até ao séc.XV foi utilizado como convento, pelas freiras agostinianas. É uma igreja estilo românico pisano (característico de Pisa) e a sua fachada é atribuída ao escultor italiano Biduino, já a sua torre sineira data do séc. XVII.
Actualmente, é a sede da Gipsoteca de Arte Antiga da Universidade de Pisa.

Torre Sineira da Igreja
Igreja de San Paolo All'Orto

Via Borgo Stretto
Seguimos depois em direcção à principal rua da cidade, a Rua Stretto Borgo. Esta é a "sala de visitas" da cidade, juntamente com o Corso Itália. Aqui se encontram as lojas mais caras, sob os seus arcos medievais.


Stretto Borgo

- Chiesa di San Michele in Borgo
Na extremidade da Borgo Stretto encontramos a Igreja de San Michele in Borgo, que foi construída no início do séc. XI, fora dos muros da cidade, sobre um antigo templo dedicado a Marte e pertenceu aos monges beneditinos, durante a Idade Média. A fachada românica com influências góticas é do séc. XIV e nela podemos encontrar um santuário com a Madona e o Menino, de Lupo di Francesco. Já no interior encontramos um Crucifixo do séc. XIV, de Nino Pisano, pinturas de vários pintores, como Matteo Rosselli, Baccio Lomi, Aurelio Lomi e Giuseppe Melani e ainda frescos do séc. XIII.

Parte Superior da fachada da Igreja San Michele in Borgo

Chiesa di San Nicola
Aproximando-nos do nosso destino principal, a Praça dos Milagres, encontramos a Igreja San Nicola, que surge mencionada pela primeira vez em 1097 e sabe-se que a mesma foi ampliada entre 1297 e 1313, sob o projecto de Giovanni Pisano, a mando dos Agostinianos. Mais tarde, em pleno séc. XVII, o edifício foi restaurado e foram adicionados vários altares e a Capela do Sacramento, por Matteo Nigetti. Anexa a ela temos a bonita torre sineira, a segunda mais famosa da cidade, projectada pelo arquitecto Diotisalvi.

Torre Sineira
Fachada da Igreja

Piazza Dante
E nesta descoberta pela cidade, "tropeçamos" na bonita e única Praça de Dante. Esta arborizada praça foi criada no séc. XIV, com a função de espaço dedicado ao comércio, com arcadas, pavimentação de tijolos e lojas de artesanato. Contudo, quando no séc. XV, Lorenzo de Medici decidiu mudar para este local a sede da Universidade de Pisa, foi necessário transferir a área comercial para a Praça Vettovaglie.
Actualmente, é um dos poucos espaços verdes da cidade e serve de ponto de encontro para estudantes e vários são os eventos e actividades que aqui ocorrem.

Praça de Dante

Chiesa di San Frediano
E bem próximo a esta bonita praça encontrámos a Igreja de San Frediano, que data de 1061 e foi fundada pela família Buzzaccherini-Sismondi. Inicialmente foi dedicada a São Martim. A sua fachada românica mostra características típicas da arquitectura medieval de Pisa e no seu interior podemos encontrar uma cruz rara pintada num painel dourado com o Crucifixo e Histórias da Paixão, vários altares barrocos e ainda frescos de Domenico Passignano e de Rutilio Manetti.

Igreja de San Frediano

Piazza dei Cavalieri
Quando demos por nós estávamos a chegar a fabulosa Praça dos Cavaleiros, esta é a praça mais famosa da cidade, depois da Praça dos Milagres. Durante muitos anos foi o centro do poder civil e durante a segunda metade do séc. XVI tornou-se a sede da Ordem dos Cavaleiros de Santo Estevão. Não vos consigo descrever o quão encantadora e única é esta praça, que é bem ampla e com todas as atracções à volta da mesma.

- Palazzo dell'Orologio
Uma dessas atracções é o Palácio do Relógio, um antigo edifício medieval, que pertenceu à família Gualandi. O relógio e a cela campanária datam de 1696. Quando o Palácio foi construído incorporou a famosa Torre della Muda, onde em 1289 morreu Ugolino della Gherardesca. A partir de 1566 o palácio passou a hospedar a enfermaria da Ordem dos Cavaleiros de Santo Estevão e mais tarde passou para as mãos da família Gherardesca, que reformou o edifício.
A partir da década de 70, o local passou a pertencer à Escola Normal de Pisa. Quando chegamos à praça e olhamos este edifício não diríamos a história que ele carrega e quando finalmente ficamos a par da mesma passamos a olhar para ele de uma outra forma. 

Palácio do Relógio

- Chiesa San Stefano dei Cavalieri
Outra atracção da Praça é a magestosa Igreja dos Cavaleiros de São Estevão. Construída em 1565, tinha como objectivo servir a Ordem com o mesmo nome, fundada pelo Grão Duque Cosimo de Médici. Foi projectada por Vasari e David Fortini, já a fachada, em mármore branco,  foi projectada por Don Giovanni de Medici.

Igreja dos Cavaleiros de São Estevão

Piazza dei Miracoli
E logo ali ao virar da esquina. depois de passar a Praça dos Cavaleiros, começamos a vislumbrar os magníficos monumentos da Praça dos Milagres. Esta é o mais importante centro artístico e turístico da cidade, tendo sido declarado Património Mundial em 1987, pela UNESCO. Aqui encontramos todos os monumentos religiosos mais importantes da cidade, a Catedral (Duomo), o Batistério, o Camposanto. O Museu del'Opera del Duomo e ainda a famosa Torre de Pisa.
A sensação que se sente ao entrar nesta Praça é indescritível, pois tudo aqui é enorme, maravilhoso e único. Inicialmente, decidimos apenas dar uma volta pela Praça para ver todos os monumentos por fora e tirar muitas fotos e depois decidir quais os monumentos que queríamos visitar por dentro, sabendo de antemão que a subida para a Torre de Pisa, para mim estava fora de questão dado o meu estado de graça ;) .

Jardins da Praça dos Milagres

Nós optámos por visitar a Catedral (cuja entrada é gratuita), o Camposanto e o Batistério (o bilhete para os dois locais fica a 7€ por pessoa) e o André decidiu subir à Torre (o bilhete ficou em 18€). O bilhete da Torre é sempre pago à parte, quanto aos restantes se optar apenas por um monumento paga 5€, por dois paga 7€ e por três paga 8€.

- A Catedral
A Catedral de Pisa é o maior exemplo do estilo românico toscano e é dedicado à Santa Maria Assunta. Esta bonita Catedral foi idealizada pelo arquitecto Buscheto e iniciou-se a sua construção em 1064, mas devido à falta de verbas, ouve a necessidade de parar as obras até o imperador bizantino doar o montante necessário para o resto das obras. 
Várias foram as reformas sofridas pela mesma ao longo dos anos, mas actualmente ainda podemos encontrar no frontispício as portas de bronze de Bonanno Pisano (de 1602 e que ilustram várias cenas da bíblia), no interior o bonito púlpito, uma das últimas obras de Giovanni Pisano e a lâmpada de Galileu, de Vicenzo Possenti.
Tal como já disse em cima, a visita à Catedral é gratuita, contudo é necessário que vá levantar bilhetes para que possa visitá-la. Posso dizer que gostei imenso do seu majestoso interior mas honestamente o exterior, para mim é bem mais bonito.

O corpo da Catedral
Fachada da Catedral
Púlpito, de Giovanni Pisano
Capela Mor, com o Mosaico do Cristo Pantocrator
Capela do Santíssimo Sacramento

- Battistero
O Batistério é o segundo edifício mais antigo da Praça dos Milagres, foi dedicado a São João Batista e é o maior Batistério da Itália. Este foi construído pelo arquitecto Diotisalvi, no séc. XII, resultando numa mistura de estilos arquitectónicos gótico e românico.
Este foi um dos monumentos que decidimos visitar dada a sua beleza exterior, o que nos levou a pensar  que o seu interior deveria ser algo de absolutamente fantástico.Pois.....Engano o nosso, o seu interior é extremamente simples e desprovido de decoração, o que nos deixou um pouco desiludidos....

Batistério
Fonte batismal, de Guido Bigarelli da Como
Púlpito, de Nicola Pisano

- Camposanto
O Camposanto, também conhecido como cemitério monumental, foi o quarto edifício a ser construído na Praça dos Milagres, acreditando-se que será o cemitério mais bonito do mundo. Este é um belo claustro gótico, do séc.XIII, construído por Giovanni di Simone e onde estão enterrados as principais personalidades de Pisa, desde Reitores e Professores mais prestigiados da Universidade da cidade, até a governadores e as famílias mais importantes.
Aqui podemos encontrar três bonitas capelas, as mais antigas são a Capela Ammannati (onde jaz Lido Ammannati, docente de medicina da Universidade de Pisa) e a Capela Aulla (Onde encontramos a lâmpada de incenso de Galileu Galilei), já a mais recente é a Capela Dal Pozzo (onde se encontram algumas relíquias trazidas da Catedral).
Este foi para mim o local mais bonito que visitei, em toda a cidade. O seu jardim interior é extremamente bonito e todo o local é si é único e especial.

Jardim interior do Camposanto
Túmulo de Ligo Ammannati
Capela Aulla
Capela Dal Pozzo

Torre de Pisa
A Torre de Pisa é um bonito campanário que, logo após o início da sua construção, em 1173, começou a ficar inclinado, em parte devido ás características do solo. Esta é uma autêntica obra de arte, construída em mármore branco com cerca de 300 degraus e onde podemos encontrar uma mistura de elementos góticos com o estilo românico.
Como já disse anteriormente subir ao cimo da Torre para mim estava fora de questão, por isso fiquei na esplanada de um café bem próximo, enquanto o meu marido fazia a subida. Devo dizer, que achei o preço do bilhete bastante caro para uma subida de quase 300 degraus a pé, mas é uma das coisas que se faz uma vez na vida e por isso nem liguei. Quando compramos o bilhete é nos dada uma hora para a visita, ou seja, não podemos ir quando queremos, temos que respeitar os horários pois o interior é extremamente apertado e não pode haver pessoas a subir e a descer ao mesmo tempo. O André ficou encantado com a subida e ainda mais deslumbrado com as paisagens que conseguiu obter bem do alto da Torre.

Torre de Pisa
Escadaria interior da Torre
Paisagem a partir do cimo da Torre

Após visitarmos os monumentos todos que queríamos, decidimos ir dar mais uma volta na zona para depois regressar à Praça, já de noite e assim poder tirar fotos com os edifícios iluminados e com menos gente à volta.

Chiesa di San Giuseppe
Nesta nossa descoberta por esta zona da cidade, mais distante do centro, encontrámos a Igreja de San Giuseppe. Esta foi fundada em 1530 e consagrada em 1572 e pertencia às freiras de Gesuate de Lucca. No seu interior podemos encontrar um órgão Agati, do séc. XIX e várias pinturas do séc. XVIII, podemos ainda ver uma bonita escultura de madeira coberta de gesso branco, Cristo caído sob a Cruz, de Giuseooe Giacobbi.
Foi uma das poucas igrejas que estavam abertas e por sinal era bem bonita, o que nos deixou ainda mais tristes por não termos conseguido ver a maior parte das outras igrejas.

Nave Central da Igreja

Chiesa di Santa Catarina
Tivemos tempo ainda para ver a Igreja de Santa Catarina, que foi construída em 1251, a mando de São Domingos e dada aos frades da sua Ordem. A sua bonita fachada é feita de mármore branco e cinza e na parte superior podemos ver alguns elementos góticos. Já o seu interior abriga obras de Lippo Memmi, Fra Bartolomeo, Santi di Tito e ainda esculturas em mármore de Andrea Pisano e do seu filho Nino Pisano.
Contudo, e apesar de estar aberta, não havia iluminação nesta igreja o que fez com que as fotografias não tivessem ficado nada de jeito.

Fachada da Igreja
Interior da Igreja

Depois de mais umas voltas regressámos à Praça dos Milagres e tirámos todos as fotos possíveis e imaginárias, a fazer todas as figuras tristes comuns àqueles que visitam a Torre de Pisa. Depois da hora da palhaçada decidimos fazer o percurso de volta à zona do hotel e parar para jantar, pois estávamos ambos esfomeados.

A nossa escolha para jantar foi a Enoteca L'Etichetta, bem próximo do Corso Itália, e devo dizer que foi a melhor escolha possível. Foi o André que escolheu, ficou encantado com o design do mesmo e confesso que achei que ia ser uma banhada, mas foi o melhor local onde comemos nesta semana por Itália. Se quiser saber um pouco mais veja o primeiro artigo da série.

Depois de jantar demos mais uma volta pela cidade e fomos depois descansar, para recarregar baterias e acordar cheios de força para regressar a Roma e aproveitar aquele que seria o último dia de descoberta por Itália.

E assim termina mais um artigo desta série. Espero que tenham gostado :) .

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Os outros artigos da série referente a esta viagem - roteiros:
Viagem por Roma, Florença e Pisa
Roma 1º e 2º dia
Roma 3º dia
Florença 4º dia
Florença 5º dia
Roma - último dia

Os outros artigos da série referente a esta viagem - hotéis:
Deseo Home - Roma
Hotel Sonya - Roma
Hotel Mia Cara - Florença
Hotel Bologna - Pisa