segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Uma manhã em Corfú

Uma manhã em Corfú


Hoje irei fazer um artigo sobre uma das bonitas ilhas gregas que tive o prazer de conhecer, Corfú. Apenas estive uma manhã nesta bonita ilha, mas consegui explorar um pouco e tentarei deixar-vos um roteiro apelativo.
Corfú faz parte das ilhas jônicas e fica a norte do Mar Jónico, na entrada do Mar Adriático. Durante a 1ª Guerra Mundial, Corfú serviu de refúgio ao exército sérvio e no decorrer da 2ª Guerra Mundial, foi ocupada  durante 2 anos, pelo exército italiano, para depois ser devolvida à Grécia em 1944. E talvez por isso é esta é a menos grega de todas as ilhas.
Esta foi umas das primeiras ilhas gregas a abrir-se ao turismo, principalmente por causa do seu contexto histórico e cultural. E apesar de ainda hoje ser um dos locais turísticos mais populares, conseguiu manter a sua cultura intacta.

A principal cidade da ilha possui o nome da mesma, Corfú e foi o único local da ilha que consegui visitar. Esta localiza-se bem no centro da ilha, na costa oriental e foi construída entre duas fortalezas e cheia de soberbos traços de Veneza, tendo igrejas bizantinas e praças floridas, ou seja, Corfu Town é uma verdadeira jóia arquitectónica e uma das mais belas e elegantes cidades da Grécia. Sendo o local ideal para quem quer passear pelas ruas estreitas e sem trânsito.







Por toda a ilha pudemos ver paisagens de cortar a respiração, como o Monte Pantokrátor e a estância de Palaiokastrítsa. Pudemos ainda aproveitar a belíssima praia de Myrtiótissa, que já chegou a ser descrita como "a mais bela praia do mundo".

O meu roteiro
Saímos do terminal do cruzeiro e apanhámos o autocarro até Praça de São Rocco, onde ficámos desde logo maravilhados com a Fortaleza de São Marcos que surgia no alto de uma colina.
Decidimos então subir em direcção à Fortaleza de São Marcos e no percurso passámos pela Igreja Católica de Carmelo, igreja latina construída em homenagem à Virgem Maria de Ténedos, no final do séc.XV. O seu nome provém de um ícone que trouxe para a igreja de Ténedos, os padres católicos refugiados, quando os turcos conquistaram a ilha, após a queda do Império Bizantino. Em tempos abrigou a Biblioteca Pública, a primeira Escola Pública e ainda a Academia Jónica.
A Fortaleza de São Marcos, ou Novo Forte, foi construída pelos venezianos, estando estrategicamente localizada próximo do Porto Velho da cidade. Levou cerca de 70 anos a ser construída, tendo ficado concluída logo após a invasão turca. Foi o engenheiro militar italiano, Ferraute Vitteli, quem a concebeu e construiu, e desde logo a fortaleza foi fundamental para proteger a cidade e os seus moradores.





Após subirmos até à Fortaleza de São Marcos, decidimos partir à descoberta da cidade de Corfú. Passámos por inúmeras igrejas, todas elas magníficas, sobretudo por dentro. Contudo, não era permitido tirar fotografias e por isso apenas tenho fotos das igrejas por fora, tendo apenas fotos do interior de duas igrejas. Uma das igrejas que encontrámos nesta nossa descoberta pela cidade foi a Igreja de Santo António e Santo André, inicialmente construída no séc.XIV e mais tarde em 1753 sofreu remodelações. Esta igreja possui a capela-mor feita em mármore, obra do arquitecto e escultor A.Trivoli-Pierri, sendo uma das mais impressionantes obras das igrejas gregas.



Outra das igrejas que visitámos e que consegui imagens do interior foi a Igreja da Virgem Maria dos Estrangeiros, local onde várias pessoas vindas de Épirus, se refugiaram aquando do ataque turco. Possui um tecto que é uma autêntica obra-prima de N. Koutouzi, efectuada no séc.XVIII. Praticamente todas as igrejas que visitámos têm um interior muito semelhante a esta, tirando uma que falarei mais à frente.



Seguimos depois em direcção à Igreja de São Spyridon, que é dedicada ao santo padroeiro da ilha e onde se encontra o corpo do santo, que era originário do Chipre. Localiza-se próximo da Praça Spianada, tendo inicialmente sido construída na Praça Sarocco, mas no séc.XVI foi erguida na localização actual, com uma arquitectura típica veneziana. Possui fantásticas ilustrações no tecto, fruto do trabalho do pintor P.Doxaras. A sua torre sineira é o ponto mais alto da cidade, sendo a primeira coisa que se vê quando nos aproximamos da ilha. Os moradores têm uma profunda fé neste Santo, pois dizem que salvou a ilha quatro vezes das invasões otomanas.





Continuámos depois o nosso percurso em direcção ao Velho Forte e deparámos-nos com um imponente edifício, que viemos a descobrir ser o Palácio de S.Miguel e S.Jorge que abriga actualmente o Museu de Arte Asiática. Este é o único museu na Grécia dedicada à arte proveniente da Ásia, tendo magníficas colecções de arte chinesa, japonesa, indiana entre outras.



Seguimos depois o nosso percurso e descobrimos a bonita Igreja Panagia Mandrakina, que foi construída em meados do século XVI, tendo sido destruída em 1944 e mais tarde restaurada. O seu nome deve-se a um ícone da Virgem Maria, que foi encontrada no mar por pescadores no pequeno porto de Mandraki.



A partir desta bonita igreja começámos a vislumbrar a Velha Fortaleza de Corfú, que é uma das mais impressionantes obras de fortificação da Europa. Esta fortaleza foi construída pelos venezianos, no séc.XV, no local de um antigo castelo bizantino. Para torná-lo mais seguro, fizeram uma fossa artificial e assim, separaram a fortaleza do continente. A fortaleza ficou ligada a terra por uma ponte de madeira móvel. Em 1819, essa ponte foi substituída por um passadiço mais estável. A entrada para a fortaleza é arqueada e tem um símbolo de Veneza por cima, esculpida em mármore. Actualmente, pudemos visitar no Velho Forte, a Capela da Madonna del Carmine (local para onde os condenados à morte eram transferidos) e a Biblioteca Pública de Corfu, que abriga manuscritos raros. O ponto mais alto da Fortaleza é onde fica actualmente uma Torre de Relógio, e que é chamada de Cidadela, julga-se que em tempos este local foi habitado.
Acabámos por não visitar a Velha Fortaleza, pois não tínhamos muito tempo e a entrada era um pouco elevada.









Bem perto tínhamos a Praça Spianada, praça central de Corfú, sendo o monumento mais importante da cidade e a maior praça da região dos Balcãs. Antes do séc.XIX, costumava ser um grande terreno baldio usado para fins defensivos. Actualmente, é o principal centro social onde ocorrem inúmeros festivais e desfiles. Serve também como palco de jogos de críquete, sendo o único local na Grécia onde o desporto é praticado. Por sinal é muito bonita e enorme.





Chegava então a hora de fazer o percurso inverso, em direcção à Praça de São Rocco, mas como ainda tínhamos tempo decidimos ir por outro caminho para aproveitarmos e vermos outros locais de interesse. Na volta acabámos por ver edifícios bem interessantes e históricos. Um deles foi a Catedral Católica de São Giocomo edifício clássico veneziano, do séc.XVI, sendo dedicada a São Giocomo e São Cristóvão. Esta bonita igreja, com uma torre gótica e uma torre sineira, sofreu graves danos com os bombardeiros, durante a Segunda Guerra Mundial. Tendo sido reconstruída em 1969. Por fora talvez seja uma das igrejas mais bonitas de Corfú, mas por dentro, de todas as fantásticas igrejas que visitámos, esta foi talvez a que menos me fascinou.



Outro bonito edifício que vimos foi a Câmara Municipal de Corfú, que domina toda a Praça e é uma das mais impressionantes estruturas arquitectónicas venezianas da ilha. Foi inicialmente construída entre 1663 e 1693, quando a ilha estava sobre ocupação veneziana.


Passámos ainda pela Igreja de São Nicolau, construída entre o séc.XIV e o séc.XVII e que possui um santuário e um altar em estilo barroco. Em 1916 foi concedida aos sérvios, para servir como o seu local de culto. Se não formos com atenção nem percebemos que é um igreja, pois a entrada é ligeiramente atípica, podendo passar despercebida.



Outro local inesquecível que visitámos foi a Igreja Metropolitana, talvez a mais diferente de todas as igrejas muito pela sua cor exterior, pois se até aí só tínhamos visto igrejas brancas ou amarelas esta tinha uma cor bem mais berrante. A Igreja Metropolitana foi construída em 1577, tendo sido inicialmente dedicada a São Basílio e mais tarde a Panagia Spiliotissas. Nela encontra-se o túmulo de Santa Teodora Augusta, que foi imperatriz e esposa do imperador bizantino, Theofilos. Nesta igreja, é feita uma cerimónia, uma vez por ano, onde é dado aos crentes um pedaço de melancia, em memória a um milagre de São Basílio, que curou os filhos de Corfú de uma estranha doença.



Chegava então a hora do regresso após a horas de intensa caminhada para visitar o mais possível desta bonita cidade. Devo confessar que esta talvez foi a ilha grega, de todas as que já visitei, a que menos me fascinou, embora tenha gostado bastante. Mas quem segue o meu blog sabe que sou completamente fascinada pela Grécia, pela sua história, pela sua gente, pela sua comida, ou seja, por tudo. E como já referi anteriormente, esta é provavelmente a menos grega de todas as ilhas o que acaba por fazer com que eu tenha gostado mais de todas as outras.




Espero que tenham gostado e que deixem o vosso comentário.

;)

E vocês já visitaram Corfú? O que acharam? Ou ainda querem visitar?

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